PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Oh! bendita a Ignorância, este intermédio
Que é negro muro entre a irrisão e a palma …
– Ai! choremos o mal que é sem remédio,
Esse cancro de luz que temos n’alma …

Nós – os filhos da Raça Abandonada
Que tudo sacrifica ao Pensamento –
Resvalemos nas ondas da enxurrada
– Prêmio que cabe à Dor e ao Sofrimento …

– Horda inútil de inúteis visionários,
– Só temos entre os nossos semelhantes
As cruzes que arrastamos aos Calvários
E o arrebol de crepúsculos distantes …

Fôssemos nós as rochas das cisternas,
O cardo agreste, as heras dos caminhos,
O baço olhar dos monstros das cavernas,
O aroma, a flor, a voz dos passarinhos …

Já provamos a dor que não tem termo,
– Vimos em tudo a angústia, o desconforto,
E guardamos em nosso peito enfermo
A estagnação das trevas do Mar Morto .. :

E é a mesma a proscrição – a mesma luta .. .
– Sempre a coorte dos pálidos vencidos .. .
– Terra, abre os seios! – na matéria bruta
Dá-nos alívio aos corpos doloridos …

A inconsciência da rocha taciturna …
– Da argila, ao mesmo tempo imunda e casta,
Queremos essa paz erma e soturna,
Que o cansaço da Vida já nos basta …

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