COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem SAUDADES, SAUDADES

Beni Tavares:

Eu, na qualidade de cinéfilo, viciado na telona, ia amar ver O Romance da Besta Fubana transformado em filme.

Com certeza, seria um sucesso.

* * *

Nota do Editor:

Meu caro leitor Beni:

A propósito dessa história de transformar O Romance da Besta Fubana num filme, vou transcrever uma resposta que dei numa entrevista.

Foi em 2009, para a revista Interpoética, especializada em literatura.

Veja a pergunta e a minha resposta:

PERGUNTA:

A República Rebelada de Palmares tem todos os argumentos para se transformar num bom filme: ação, personagens fortes, história insólita. Você já pensou sobre o assunto? Algum diretor (ou roteirista) já te propôs transpor o Besta Fubana para o cinema?

MINHA RESPOSTA:

Primeiro foi o meu amigo e irmão Vladimir Carvalho, cineasta paraibano, renomado documentarista, premiado e reconhecido no mundo todo. Ele mandou pra sua ex-aluna de cinema na UnB, Tizuka Yamazaki, uma cartinha – da qual ele me deu uma cópia -, enviando um exemplar do livro pra ela e fazendo uma apreciação muito carinhosa. A carta é esta que vou transcrever agora:

Brasília, 9 de junho de 1988

Querida amiga Tizuka,

Quem é vivo sempre aparece.

Há muito não nos vemos, mas sigo-lhe os movimentos e atuações com grande interesse do seu torcedor fanático, como sabe.

Agora lhe escrevo para dar uma penada por um grande amigo e quase conterrâneo meu, Luiz Berto. Trata-se do autor de um romance interessantíssimo chamado justamente “Romance da Besta Fubana”. Escrito nordestinamente num estilo arisco e debochado, é, para mim, uma obra prima do picaresco, a além de tudo – e principalmente, muitíssimo cinematográfico. À época do seu lançamento obteve excepcional acolhida da crítica, conquistando prêmio importante.

Quando li a primeira vez pensei imediatamente que poderia resultar em excelente rapsódia cinematográfica, mas também pensei num especial de TV, como fizeram com algumas coisas de Ariano Suassuna. Porém, você sabe, a ficção não é a minha praia. Por isso, tenho enorme satisfação de ajudar a encaminhar o livro do Berto à sua apreciação. Não se arrependerá de sua leitura.

Como no samba, “faça por ele como se fosse por mim”.

Com um abraço do seu admirador de sempre

Vladimir Carvalho

Tempos depois, ele, Vladimir, me ligou dizendo que Tizuka tinha lido o texto, estava empolgada com o livro e tinha planos de botar em prática um projeto a partir do seu enredo. Nunca mais perguntei pra ele em que pé estavam as coisas. Tenho um pudor intransponível pra vender o meu peixe e pra tratar dos meus interesses no que diz respeito à minha obra. Vinte e um anos se passaram e eu não tenho a menor ideia de como está atualmente o interesse de Tizuka pelo projeto de botar na telinha ou na telona o meu romance. O tal pudor de que falei há pouco não me permite especular sobre o fato.

Passados alguns anos desde a carta pra Tizuka, Vladimir me liga novamente e me pede que eu mesmo envie um exemplar do livro pra uma pessoa que ele conhecia e cujo endereço ele me forneceu. Lembro-me que era um endereço do Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, embora o cidadão fosse pernambucano. Não me recordo do nome, mas sei que era o diretor de um filme chamado “O Baile Perfumado”, que fez muito sucesso à época do seu lançamento. Mandei o livro via Sedex, morrendo de vergonha, apenas pra atender ao pedido-ordem de Vladimir. Não só nunca tive resposta como não sei nem mesmo se o livro chegou ao destinatário.

Depois, quando eu já morava no Recife, me disseram que tinha um cidadão aqui na cidade, também diretor de cinema, que andava com um exemplar da Besta enfiado debaixo do sovaco pra tudo quanto é canto onde fosse, dizendo que o livro daria um enredo arretado e que iria transformá-lo em filme. Foi assim que me disseram, não posso garantir se é verdade ou mentira. Também não conheço este cidadão, nem me lembro do seu nome, mas me lembro do nome do seu filme que fez muito sucesso, uma fita chamada “Amarelo Manga”.

Por fim, no começo deste ano corrente de 2009, recebi telefonema do meu amigo Edgar, da alta administrância estadual pernambucana, me garantindo ser verdade a seguinte história: um membro da família Barreto, o clã dos geniais cineastas nacionais, não sei se Bruno ou seu pai, afirmara para alguém que havia comprado os direitos de filmagem d’O Romance da Besta Fubana. O talentoso cronista paraibano Zelito Nunes, meu amigo, estava ao lado dele, Edgar, por ocasião deste telefonema. Uma coisa é certa: de mim é que não compraram nada. Nem de Arnaldo, meu editor e diretor da Bagaço (a não ser que Arnaldo tenha negociado secretamente para não pagar minha parte…).

Edgar ficou de me encontrar pessoalmente pra dar detalhes da história e me convencer de que o que ele sabia passava tudo na verdade. Mas o cabra safado não só nunca mais voltou a me ligar como, pior ainda, não compareceu ao encontro que marcamos na minha casa pra tomar cana e pra ele me detalhar o assunto. (…mas Zelito compareceu…). O constrangimento de tratar dos meus interesses literários me impede de ligar pra Edgar e fazer cobranças.

Eu só sei é que fico besta com tanto boato.

4 pensou em “A BESTA QUASE AVOA NAS TELAS

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