O TROCA-TROCA

Cardoso é malandro desde menino, na juventude fez parelha com um primo, viviam os dois matando aulas, pensando sempre em sacanagem, em tirar vantagem. Seu primo dedicou-se à malandragem profissional, tornou-se deputado, e Cardoso seu dileto primo, assessor para assuntos prescindíveis. Trabalho maneiro, ele frequenta a Assembleia duas vezes por semana, onde lê revistas, jornais, paquera as funcionárias e conversa com um ou outro eleitor do deputado.

Certa vez chegou-lhe às mãos uma revista masculina. Ao ler uma seção chamada Fórum, onde as pessoas se abrem em fantasias sexuais, chamou-lhe atenção um anúncio de um jovem casal de Santa Catarina radicado em Aracaju a fim de fazer swing, ou seja, o troca-troca de casais. Esse anúncio aguçou o espírito de aventura de Cardoso. Fantasiou a beleza da galeguinha catarinense. Passou a tarde meditando, pensando, idealizando a sacanagem. Havia uma dificuldade, o casal pedia o envio antecipado da certidão de casamento. Só depois fariam troca de fotos, e por fim marcariam o encontro dos casais. Cardoso é bom marido, bem casado, jamais pensaria troca de casais envolvendo sua esposa, amor de sua vida.

De repente apareceu na sala a gostosa Maria do Rosário, assessora de outro deputado. Se houvesse dispensa do serviço de funcionários da Assembleia que já tinham comido Rosarinho, ficariam poucos homens no prédio.

Cardoso não perdeu tempo, conversou com sua amiga e comida nas horas vagas. Mostrou o anúncio do casal catarinense morando em Sergipe, expôs o plano: falsificar uma certidão de casamento. No dia seguinte, Maria do Rosário e Cardoso, com meia hora na sala de xérox, saíram com uma perfeita cópia de certidão de casamento entre Carlos Antônio Cardoso e Maria do Rosário Costa e Silva. No mesmo dia remeteu a cópia da certidão, com endereço da Rosarinho e seu EMAIL para o endereço da caixa postal de Aracajú, via Sedex, como orientaram.

No início da semana, Cardoso recebeu um EMAIL do catarinense aprovando a certidão e enviando a foto do casal. Cardoso ao olhar a foto da galega catarinense ficou louco, mais bonita que a Vera Fischer. Convocou a parceira Maria do Rosário, tiraram fotos juntos, ele enviou por Email para Franz, o catarinense.

Com detalhes acertados, marcaram encontro no Restaurante Flexa de Aracaju, na estrada. Cardoso inventou para esposa uma viagem a serviço do deputado para Salvador e numa bela manhã de sexta-feira rumou com Rosarinho pela estrada do litoral sul.

Exatamente às 11 horas o casal entrou no Restaurante Flexa. Quando Cardoso reconheceu o outro casal sentado em uma mesa, deu-lhe uma sensação de felicidade. A mulher do cara era mais empolgante ao vivo, loura dos olhos verdes, sorriso perfeito, dentes brancos, exalando sensualidade. Aproximaram-se da mesa, o casal levantou-se, cumprimentaram-se. Os quatros sentados à mesa conversaram amenidades. Rosarinho saiu-se muito bem, com os detalhes de sua suposta família, combinados e inventados por Cardoso. Ela também estava entusiasmada, o catarinense era um jovem bonito, atlético e bem humorado.

Como combinaram, seguiram no carro de Cardoso para Salvador. Conversaram bastante durante as três horas viagem, quebrando o gelo, descontraindo. Ao chegar ao hotel em Salvador, cada qual foi com a mulher do outro para o quarto.

Cardoso educadamente esperou Helga, era o nome da deusa, tomar banho. Ela apareceu vestida numa maravilhoso e curto lingerie de renda preta. Cardoso, contente, cantarolando, tomou seu banho, vestiu um pijaminha. Ao sair do banheiro, deparou-se com uma cena inesquecível: sua parceira Helga, deitada na cama, cotovelos entre o travesseiro, lia uma revista, suas pernas balançavam langorosamente por cima da linda bunda levemente coberta pela calcinha de renda preta. Cardoso deitou-se a seu lado, começou com um beijo no rosto, e o resto é silêncio, como diria Shakespeare.

Teve que repetir mais duas vezes durante a noite, com intervalos para bons papos, doses de uísques e ajuda do azuladinho. A catarinense gostava do amor, tinha furor-uterino. Com a boca, ela era inigualável. Ao acordarem cumpriram novamente a santa obrigação. No café da manhã se encontraram com Maria do Rosário e o Galegão, felizes da vida.

Retornaram de Salvador no domingo, entraram em Aracaju para deixar o casal, onde conheceram os dois filhos lourinhos. Marcaram um novo encontro. Um mês depois, repetiram a dose, dessa vez no Recife. Eles queriam ir à Maceió para conhecer os filhos do casal. Cardoso com medo que a brincadeira fosse mais longe, deu desculpas, disse que estava se separando de Rosarinho, assim cortava a regra do jogo e terminaram o brinquedinho de troca-troca. Ficaram apenas lembranças daqueles dois fins de semana. Para Cardoso ficou inesquecível a cena de Helga no lingerie de renda preta, deitada, esperando…

3 pensou em “O TROCA-TROCA

  1. Interessante estória sobre um caso de swing , bem ilustrado com uma bela bunda , semelhante a outra mostrado por Cícero. A pratica da cornicitude consentida é falsa nestas casas , como comprova o escritor. Acho difícil alguém levar a própria esposa para uma brincadeira deste tipo , mesmo se o casamento for mal ou informal. Entretanto fora delas, já se tornou normal e foram feitas leis para tal. O comedor sai por aí para dar um perdido , e a comida fica em casa. Como não cabe no freezer com o passar do tempo azeda. E é desumano jogar comida fora. Alguém tem que comer. Na deputância a comida é servida até nos Alpes Tem gente comendo o prato de outros e no swing dos nossos , a fidelidade jaz ( não estamos falando de música).

  2. Aqui em Recife tem uma área no bairro do Cordeiro que o pessoal chama de Bomba Grande. Territorialmente, não passa de umas 20 ruas e nele morava uma “Rosarinho” que o pessoal chamava de “Cai-Cai” . Ela era “esposa” de muitos para esse tipo de aventura.

    Em relação ao fato de não ser a esposa do cara, mesmo, tenho minhas dúvidas. Tem casal que topa mesmo. Tem gosto pra tudo. Final dos anos 1980 eu trabalhava em um banco. E tinha um cara lá que toda sexta feira convidava um amigo diferente pra tomar cerveja na casa dele. Lá ele servia a cerveja e a esposa. Ficava olhando. Se deliciando. Tem gosto pra tudo.

    Essas histórias do velho capita são demais.

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