MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Às vezes a gente encontra um texto que nos faz pensar “caramba, eu gostaria de ter escrito isso”. É o caso do trecho que transcrevo abaixo. Foi escrito por Daniel Sanchez, escritor e professor nos EUA. Seus textos são traduzidos e publicados em português pelo Instituto Mises Brasil (www.mises.org.br).

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Em minha universidade, o maior e mais ativo clube estudantil era a “União Revolucionária dos Estudantes”, também conhecido como a confraria dos alunos marxistas. Uma coisa sempre me chamava a atenção: todos aqueles alunos pareciam profundamente infelizes. Eles entravam nas salas de aula com um olhar raivoso e viviam constantemente resmungando e se queixando, não apenas do “capitalismo”, mas também das infinitas frustrações e injustiças que aparentemente dominavam suas vidas.

Para aqueles jovens revolucionários, cada frustração de suas vidas era culpa de outra pessoa. Se eles não recebiam as notas que achavam que mereciam, a culpa era do professor burguês. Se não recebessem boas propostas de emprego, era porque o sistema capitalista os estava oprimindo.

Ao transferir a culpa para terceiros, eles negavam sua responsabilidade por seus próprios problemas. Eles desperdiçavam todo seu tempo e energia reclamando, projetando uma auto-piedade e se afogando nessa autocomiseração. E faziam isso buscando solidariedade e reparação, em vez de simplesmente assumirem o controle de suas vidas e tentarem resolver seus problemas. Como resultado, suas frustrações iam apenas se avolumando.

Essa atitude também os privava daquele que é um dos grandes prazeres da vida: vivenciar a alegria trazida pela empatia que temos ao ver a felicidade alheia. De acordo com o jogo de soma zero característico de sua mentalidade marxista, a prosperidade dos outros ocorria à custa da sua própria. Em consequência, eles se ressentiam de todas as pessoas mais bem-sucedidas que eles. E eles se tornaram tão preocupados em puxar as pessoas para baixo e arrastá-las para sua própria infelicidade, que acabaram ficando com pouca ou nenhuma energia para realmente tentar algum aprimoramento próprio.

Se aqueles meus camaradas estudantes algum dia tentassem impor o socialismo ao país, não seria necessário recorrer a nenhuma teoria econômica para concluir que causariam uma profunda e ampla miséria (econômica, social e mental). E o que é realmente irônico é que eles aparentemente não percebiam que a grande miséria de suas vidas já estava sendo causada pela própria ideia do socialismo, a qual residia apenas em suas mentes.

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