CAI A NOITE

Xico Bizerrra

Logo, logo, a tarde já colorida vai se embonitar ainda mais para entregar-se à noite com todo o amor que o arrebol proporciona. Os cantos da Igreja próxima, de repente silenciam e se transformam no encanto dos sinos a badalar para que as janelas se abram e deixem entrar a branda brisa da Ave-Maria. Hora de descanso das sacolas que o homem velho carrega pendurados às costas: suas mãos se postam rezando por um dia de luz diante da escuridão solitária que acompanha aquele alforje de interior repleto de vazios. Árvores tagarelas balbuciam sons incompreensíveis enquanto suas folhas continuam a conversar com o vento, prenunciando o cair d’água que está por vir. As crianças-chuva se protegem no alpendre da casa em que seus pais brincam de se abençoar com a luz do amor. Cai a noite.

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