Guilherme Fiuza

Na hora da decisão, a infinitésima encarnação do petismo no poder central tenta sua autoperenização com o truque de sempre: a alternativa a Lula é a ditadura, o extremismo, o fascismo. Mas o PT não está sozinho nessa. Há um bom contingente de pessoas esclarecidas e não militantes ajudando a fermentar essa premissa arrepiante.
A transposição do painel eleitoral de 2026 para um cenário de alegorias ideológicas fluidas é uma tentação para muitos — até de parte dos que não votam em Lula. O país, ou uma parte bem audível dele, tem hoje essa cisma: não consegue olhar para as coisas reais sem tacar uma indumentária conceitual em cima de tudo. Foi assim que o repúdio ao petismo e suas obras completas virou monopólio da “direita” ou da “extrema-direita” ou do “conservadorismo” etc.
Obviamente, muitos milhões de brasileiros não se guiam por essas demarcações vagas, possivelmente nem sabendo o que significam. Na verdade, ninguém sabe. Se um mesmo conceito pode ser lido por parte da população como sinônimo de liberdade e por outra parte da população como sinônimo de autoritarismo, naturalmente ele não quer dizer nada. Um significado que só existe em determinado círculo (ou nem isso) e pode ser o oposto em outro círculo não designa objeto algum. O idioma é um só.
Esse surto de abstração é a única esperança do lulismo. Escândalo do INSS e suas implicações palacianas, escândalo Master e suas injunções com sustentáculos do regime, endividamento recorde e inadimplência, inflação e juros altos, tentativa de controle das mídias — tudo isso fica diluído no postulado “ascensão da direita”. Milhões de pessoas que certamente votaram na oposição reagindo à lista de problemas acima são transmutados automaticamente em células de facção ideológica. O PT agradece.
Seguiu-se ao resultado do primeiro turno, com a candidatura de Flávio Bolsonaro superando a de Lula, uma reação clara e intensa do mercado. Os juros futuros abriram em forte queda no dia seguinte à eleição. Não há coreografia conceitual nesse fato: é apenas a expectativa do mundo real de uma administração melhor para o país. Ponto.
Mas aí vem o bailado da imprensa — nacional e estrangeira: “onda conservadora”, “ascensão da direita”, “perigo da extrema-direita”, “fenômeno de radicalização” etc. Por mais que se queira conectar linhas administrativas com essa conceituação vaga, o resultado será sempre o afastamento da vida real. Na vida real, milhões de pessoas comuns, de boa-fé, se confundem com esses termos, que no Brasil servem muito mais para engolfar tudo numa polêmica sobre 1964 do que para designar uma linha de administração.
O próprio senador Flávio Bolsonaro, afastando-se das caricaturas que cercam sua família, listou desmandos do governo do seu adversário e disse que o país precisa apenas “voltar ao normal”.
Com a expectativa de que o país “volte ao normal”, o resultado do primeiro turno rendeu 365 bilhões de reais a investidores na bolsa. A queda do juro futuro projetou uma economia de 66 bilhões de reais com dívida pública. Bancos como JP Morgan e Morgan Stanley projetaram ciclo de alta para as ações brasileiras. O Ibovespa subiu fortemente com entrada recorde de recursos estrangeiros após o primeiro turno.
Nada disso é retratável ou traduzível como onda ideológica. O país precisa superar um problema político sério que enfraquece a institucionalidade e a organização da sociedade como um todo — aferível nitidamente no declínio das condições de vida e dos direitos do cidadão comum. Os fanáticos pela conceituação estratosférica precisam dar espaço para os que não votam 13 porque não querem uma república de amigos do rei.
Após os resultados do 1º T, o dólar cai, a bolsa sobe, os juros futuros caem, muito dinheiro entra na economia. Tudo isso só com a possibilidade do Flávio vencer no 2º T. Isso porque os Bancões nunca lucraram tanto quanto na era PT.
As bolsas de aposta estrangeira dá 88% de chance da vitória do Flávio.
Minha ansiedade só diminuirá após 25/10