Os ratos vão para o céu?
Novo livro de contos de Vitor Miranda
Texto de Xico Sá para apresentação do livro:
“Estava terminando a milésima releitura de “Ratos e homens”, escrito em 1937 pelo phodástico John Steinbeck, quando me chegou o original encadernado do livro-pergunta de Vitor Miranda. Os roedores amam literatura como apreciam queijos de todos os tipos e origens. A literatura retribui esse estranho amor: “Os ratos” (Dyonélio Machado) e “O riso dos ratos” (Joca Reiners Terron). Sem se falar no barulho dos ratos nos armários de “Angústia” (Graciliano Ramos).
“Os ratos vão pro céu?”, de Vitor Miranda, nos devolve os roedores em um momento atordoado da infância. Um ratinho cobaia da nossa eterna falta de humanidade. Terá salvação? Existe o paraíso dos roedores para aplacar a nossa culpa? Semeio mais interrogações nesse campo minado.
Este livro está repleto de assombros que reverberam lá do começo da vida. Os assombros que ficam para sempre. E viram ficção, conto, sapo ou fábula. O autor tira o melhor dos proveitos. Os fantasmas agradecem ao fabulário geral aqui descrito. Os fantasmas, como os ratos, preferem literatura à terapia ou psicanálise.
Os pesadelos crescem e ficam adultos. Eles ainda estão aqui, junto com ratos, medos, interrogações e a crônica da realidade punk.
“Cachorros ateus se comiam em frente ao velório”. Aqui já pulamos para outro conto fantástico. A vida se bole em um cenário de morte. Tudo pulsa e chama para o jogo de quem sabe lutar com palavras.
Vida noves fora zero. Pule para dentro, leitor, é sobre ratos, homens pequenos & grandes, com diálogos para comover.
Uma última advertência: costela no bafo não rende poema. Aproveite.”
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