CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ELE SABE VENDER O LIVRO

William Feitosa Jr. sobre o novo livro de Vitor Miranda

Gosto muito da metalinguagem. Um texto expressando o fazer literário, utilizando o próprio código para detalhá-lo, é um exercício criativo muito bom. Perceber que a obra apresenta esse recurso logo no título já chama a atenção. Tipo de coisa que fisga… tipo de coisa que Vitor Miranda fez muito bem no seu livro O QUE A GENTE NÃO FAZ PARA VENDER UM LIVRO?

As histórias de cada capítulo levam você a fazer aquela pergunta ao autor se de fato o beck era da sua avó ou se soube, como ninguém, fazer um trabalho de conscientização de classe no uber. De qualquer forma, são retratos de quem se aventura a fazer literatura onde a conjuntura não favorece a divulgação e nem o acesso ao livro, nem às artes de maneira geral; até tem uma visão de como será o seu fim sendo um poeta que só queria viver de amor.

A metalinguagem, de maneira singular e sutil presente em boa parte das crônicas e bem ilustradas pela Fernanda Bienhachewski, se atenta ao processo de se situar em um ambiente para se inspirar bem como de divulgação de sua obra; não abandonando a crítica bem posicionada e as sacadas de amor/humor com pitadas de auto deboche. De maneira muito feliz você pode até se comover sabendo que a vida podia ser bem melhor, ou rir (quem sabe de preocupação) questionando onde é que eles jogam o lixo.

Me vi em momentos ordinários cheios de detalhes que desnudam a realidade, por vezes feios, mas que cabem perfeitamente em uma narrativa. Ser abraçado por uma puta, do nada, e depois ser “despachado” sendo chamado de “viado” é muito bom e inspirador; fora os momentos de reflexão estando eu sentado na praça, junto com um outro parça, tragando um cigarro em uma noite de natal.

Por vezes um poeta ou qualquer pessoa não se dá conta dos detalhes em volta, até que alguém aborda e te faz perceber o que está em seu entorno e até a si próprio… acho que metalinguagem pode ser isso…, mas uma coisa é certa: Vitor sabe muito bem vender o livro.

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