CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Prezado Luiz Berto:

Feliz Dia de Natal!

Estou enviando esta “Elegia” que fiz paro meu Pai, Francisco Bezerra Souto, que se encantou em 24/Dez/1984.

R. Um linda homenagem, minha cara amiga e colunista fubânica, para um pai que encantou-se no Natal.

Eu, que também cultuo muito a memória do meu saudoso pai, fiquei imensamente comovido com esta Elegia que você escreveu.

Comoveu-me até a foto na venda, pois Seu Luiz também era comerciante.

* * *

Elegia ao meu Pai, Francisco Bezerra Souto (*19/Abr/1912 / +24/Dez/1984)

36 anos de Encantamento

De repente, eu não tinha Pai.
Em meio ao mar de minhas lágrimas,
Vi-me criança, esperando-te para o almoço…
E esperando-te para o jantar…
No domingo, no almoço
tinha um vinho de mesa, moscatel…
As crianças só podiam tomar sangria
Vinho, com água e açúcar.
O barbante cortava teus dedos,
Dos embrulhos pesados.
Prego, chumbo, carbureto,
enxofre, breu, cola, sabão…
Vencias o percurso
entre a venda e a nossa casa,
duas vezes por dia,
carregando no rosto o cansaço
e a certeza do dever cumprido.

Jamais uma palavra grosseira…
A noite era da família…
Conversas na calçada,
Sempre na tua cadeira de balanço
E ao teu lado, dona Lia,
Nossa Mãe, nossa alegria
Que te botou o costume
de gostar de cafuné…

Deste-nos simplicidade,
Virtude que carregarei comigo
Por toda a minha vida.
Mas, me deste “águas- marinhas” grandes,
povoadas de estrelas.
Que moram ainda dentro de mim.
Quisera ser de novo criança…
E ficar admirando as tuas mãos…
quisera ouvir-te de novo,
solfejar “ Cisne Branco” e “O Destino Desfolhou”!

Calaste-te, meu pai, fechando-te num casulo,
depois que perdeste a saúde
e pelas decepções da vida.
Por tudo o que nos ensinaste,
Obrigada, meu Pai!
O teu mundo era de Paz,
O único em que soubeste viver!
Aquele mundo que, entre lágrimas
e martírio, viste ruir à tua volta…
A BÊNÇÃO, MEU PAI!

16 pensou em “VIOLANTE PIMENTEL – NATAL-RN

  1. Linda e comovente homenagem, Violante Pimentel, a Seu Francisco Bezerra Souto, que grande influência exerceu em via vida, caráter ilibado, personalidade irretocável.

    Seu Francisco Bezerra, bem como Luiz Berto, o pai de Berto, nosso grande editor e Antônio Tavares, meu pai, logo cedo nos deram a chave do mundo e nos disseram: “Toma, e vai ser gente na vida!” Não os decepcionamos.

    Parabéns pela postagem!

    Feliz Natal, grande cronista, extensivo à família.

    • Obrigada pela publicação e pelo gratificante comentário, querido Editor Luiz Berto!
      Fiquei feliz em saber que Seu Luiz Berto, seu saudoso pai, era também comerciante, como o meu pai.
      A venda, como ele chamava, era a menina dos olhos dele. E foi lá, trabalhando numa 2ª feira (dia da feira), que ele sofreu a primeira trombose, aos 60 anos. Ficou hemiplégico, mas sobreviveu até os 72 anos, quando sofreu a terceira trombose.

      Essa minha homenagem é o retrato da saudade que eu sinto dele.

      Um grande abraço, querido amigo Luiz Berto!

    • Obrigada pelo comentário gentil, querido colunista Cícero Tavares.
      O papel que meu pai representou na minha vida e dos meus irmãos foi muito marcante.. Ele nos deixou como herança maior, o seu exemplo de integridade moral e honradez.

      Quando em Nova-Cruz, não havia agência bancária, meu pai foi convidado pela direção geral do Banco do Brasil, para ser o Agente Bancário da cidade, Recebia os depósitos em dinheiro, feitos pelos comerciantes nova-cruzenses, e uma vez por semana viajava a Natal, diretamente para a Agência do Banco do Brasil, para oficializar e repassar os depósitos recebidos. Nesse tempo, não se falava em assalto. Na cidade, havia pessoas muito ricas e “importantes”, como políticos e fazendeiros, mas o convidado para ser Agente Bancário, foi Francisco Bezerra Souto, um comerciante íntegro, que aos 14 anos já era empregado da venda, que se tornou sua, com o passar dos anos.

      Um grande abraço, amigo! Muita Saúde e Paz, e um feliz fim de semana!

  2. Obrigada pela publicação e pelo gratificante comentário, querido Editor Luiz Berto!
    Fiquei feliz com a coincidência do seu saudoso pai ter sido também, comerciante, como meu pai.
    A Venda, como ele chamava, era a menina dos olhos dele. Foi trabalhando, num dia de feira, que ele sofreu a primeira trombose, aos 60 anos. Ficou hemiplégico e sobreviveu até os 72 anos, quando sofreu a terceira trombose. Essa homenagem é o retrato da saudade que eu sinto dele.

    Um grande abraço, querido amigo Luiz Berto.

  3. Estimada Violante, parabéns por esse belo texto intimista. Conseguiste retratar, nessa belíssima Elegia a teu Pai, as agradáveis figuras dos teus amados e saudosos pais, “Seu” Francisco Bezerra e Dona Lia, fazendo emergir, das mais profundas e serenas águas do teu imenso mar de recordações, as mais inesquecíveis e doces lembranças de entes tão amoráveis para nós, filhos!
    Um forte abraço.

  4. Belíssima e comovente homenagem ao progenitor, Violante.
    Sei que nem todas as letras dariam pra formar e definir a dor da perda.

    Um amigo judeu me disse que você é a continuidade do pai – parte da carga genética- daí a noção de eternidade…

    Assim como o amor que sentimos pelos pais, não morre nunca.

    “Deveis honrar pai e mãe…”

    Deus à abençoe, querida Violante!

    • Obrigada pelo comentário gentil, prezado Marcos Cavalcanti!

      Pai e Mãe são sagrados. “Honrar Pai e Mãe” é o 4º Mandamento da Lei de Deus.

      Os pais são o porto seguro dos filhos. A dor da perda e o sabor amargo da orfandade também atingem os adultos..
      Seu amigo judeu está certo: Somos a continuação dos nossos pais.
      Realmente, o amor que sentimos por eles não morre nunca. A saudade é eterna.

      Quando perdemos pai e mãe, o mundo diminui de tamanho, E as datas festivas jamais terão o mesmo encanto..

      Um feliz fim de semana! Muita Saúde e Paz!

  5. Obrigada pela gentileza do comentário, prezado Boaventura.
    Neste texto, onde exponho emoções e sentimentos, está a minha tristeza, por ter visto meu querido pai ser acometido de uma trombose, que o deixou hemiplégico, aos 60 anos.

    Mesmo sendo trazido para Natal, e tratado pelos melhores especialistas, as sequelas deixadas pela trombose persistiram.
    Ao voltar para Nova-Cruz, o homem, ágil e dinâmico que ele era, deu lugar a um homem inválido, triste, cabisbaixo e calado. E a venda, que era a menina dos seus olhos, e onde ele passou 40 anos da sua vida, teve suas atividades encerradas,

    Um feliz fim de semana! Muita saúde e Paz!

  6. Muito tocante a sua bela e poética homenagem, Violante ! Eu perdi meu pai há dez anos, em janeiro. tinha 93 anos… Logo ali na frente, o mês de maio levou minha mãe, aos 86. Não suportou a ausência do amado e nos deixou duplamente órfãos. Um par perfeito, não suportaria mesmo estar afastado. Hoje continuam zelando por nós, eu sei… Da mesma forma que seu querido Sr Francisco, tenha certeza. Pais são ETERNOS !

    • Obrigada pelo gratificante comentário, querido colunista Fred Monteiro!
      Minha Mãe sobreviveu 15 anos à morte do meu pai, e morreu aos 86 anos, no dia ,19 de abril (aniversário dele) de 1999. Durante o calvário que ele padeceu, ela se tornou cardíaca. Também morreu de trombose, e insuficiência respiratória. Só passou 22 dias doente. Papai passou 11 anos.
      Quando eram sadios, os dois iam à Missa, aos domingos e só andavam de braços dados. Formavam, também, um par perfeito.
      Enterrar os pais, é enterrar o nosso próprio coração. A orfandade dupla nos dá a sensação de sermos sobreviventes de uma tragédia.

      Um fim de semana de muita Saúde e Paz!

      Grande abraço, querido amigo!

  7. Obrigada pelo comentário gentil, prezado Severino Souto! Eu também sou sua fã. Adoro sua excelente coluna “SE SOU SERTÃO”, Sou sua leitora assídua. Se somos parentes, melhor ainda! Fiquei feliz com suas palavras.

    Um grande abraço, amigo! Um feliz fim de semana, com muita Saúde e Paz!

    • Obrigada, Goiano, pela gentileza do comentário! Fiquei honrada com suas palavras.

      Um grande abraço, e um Ano Novo cheio de Ventura e Paz, para você e seus familiares!

  8. Violante,

    A Elegia consiste em uma poesia melancólica, triste ou complacente, entretanto os seus versos estão impregnados de um amor que transcende o tempo. Fiquei emocionado pela descrição da época de criança relembrando a presença do seu pai. Você consegue demonstrar que o amor filial se eterniza no coração e na mente. Esse seu sentimeno ratifica que o amor está em quem dá e quem recebe. Onde seu pai estiver a energia de suas palavras fraternas vai chegar ao destino….

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Obrigada pelo comentário gentil, prezado Aristeu.

      Enterrar o Pai ou a Mãe, é ser marcado com ferro em brasa. É uma dor que não tem fim.
      Os pais são o porto seguro dos filhos. O vazio que eles deixam quando partem faz o mundo ficar mais pobre e diminuir de tamanho. E a alegria das datas festivas jamais será a mesma.

      Você disse uma grande verdade: “o amor filial se eterniza no coração e na mente”..

      Um forte abraço e que o Ano Novo, que se aproxima, seja para você e sua família, cheio de Ventura, Saúde e Paz!

      Violante

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