CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

UMA SAUDADE COM CHEIRO DE “SÃO JOÃO”

Sonho sempre com Nova-Cruz, e de ontem para hoje o meu sonho teve cheiro de “SÃO JOÃO”. Vi a Praça Barão do Rio Branco transformada em um corredor de fogueiras. Do lado da nossa casa, as fogueiras maiores e mais bonitas eram as de Seu José Henrique e Dona Eugênia, e a de Seu Manoel Silvério e Dona Conceição. Todas as casas tinham a sua fogueira.

Meu pai ornamentava o terraço da nossa casa com lanternas coloridas, enquanto minha mãe preparava a mesa com iguarias deliciosas, típicas dessa época do ano. Não faltavam canjica, pamonha, milho cozido e pé-de-moleque. O maior destaque viria em seguida: O milho assado na fogueira de São João. Isso encantava minha alma de criança.

É fim de tarde. Está na hora de acender a fogueira.

A notícia de que o fogo havia pegado e a fogueira estava acesa era sinal de Sorte, recebida com alegria por crianças e adultos. O cheiro de lenha queimando inundava o ar. A fumaça da fogueira fazia chorar. Mas eram lágrimas misturadas com sorrisos. Lágrimas de felicidade.

A noite de São João era uma festa! E a alegria era contagiante. Não havia luz elétrica e os balões eram permitidos, sem qualquer perigo.

As lembranças doem dentro de mim. Trago na memória bandeirinhas tremulando, fogueiras acesas e o céu iluminado por estrelas e luar. Todos os corações estavam em festa. Era o nascimento de São João Batista, primo de Jesus Cristo. Os fogos, bandeirinhas e lanternas coloridas completavam o cenário da história do nascimento de São João Batista, o dono da festa.

A fogueira aquecia e iluminava a nossa alma. E o sereno era o bálsamo que caía sobre as famílias que enchiam as calçadas, nessa noite de magia.

Hoje, ao recordar o antigo São João de Nova-Cruz, meus olhos ficam molhados de saudade…

Saudade de Nova-Cruz, da antiga paz que existia na cidade, e do meu porto seguro, Dona Lia e Seu Francisco.

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