JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Eu sigo buscando compreender
Veredas do mundo, estradas da vida
Fazendo meu verso de alma ferida
No averso da alma querendo morrer.
Trazendo segredos para entreter
Quem lê, quem escuta e quem se inquieta
Com versos sobrando em obra incompleta
Anseios e medos que já me consomem
Não sei se é o poeta que finge ser homem
Ou se é o homem que se finge poeta.

Cingido em tudo por um grande cinto
Me sinto humano alegre e triste
Se existe a derrota, o sonho persiste
Quando pouco falo, é quando mais minto.
Cada nova linha, é verso distinto
Fúteis entrelinhas, ideia abjeta
Mas, se eu escrever de forma correta
Os versos de avesso me domem e me tomem
Não sei se é o poeta que finge ser homem
Ou se é o homem que se finge poeta.

Poesia inspirada em diálogo ouvido no trailer do filme O Ano da Morte de Ricardo Reis.

2 pensou em “VERSOS DE AVESSO

  1. O poema é bonito e profundo, parabéns. Tomando a liberdade de interpretar o que consegui captar me parece um homem retratado como alguém que não sabe há vida atual verdadeira ou se apenas está sustentando uma versão de si que escolheu.

    • Eis o drama do personagem no filme O Ano da Morte de Ricardo Reis.
      Ricardo foi inspirado em Fernando Pessoa.
      Obrigado por sua participação, Adriana.
      Volte mais vezes.

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