ALEXANDRE GARCIA

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que tirou na semana passada a ofensiva de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do inquérito das fake news, foi cúmplice da manutenção do Inquérito do Fim do Mundo.

Só para lembrar: foi um inquérito inventado por Dias Toffoli com base no regimento interno do Supremo. Como se fosse algo: “Alguém roubou uma caneta do ministro no gabinete dele, vamos investigar quem roubou”. Algo administrativo interno, para apurar um pequeno crime dentro do prédio do Supremo.

Mas isso serviu para pegar gente no mundo inteiro, o tempo todo. Um inquérito dura 30 dias; este está durando mais de sete anos.

A Constituição Federal, nos artigos 127 e 129, estabelece que a iniciativa de qualquer inquérito é do Ministério Público, e não do Supremo. Mas Toffoli inventou o inquérito, usando um artiguinho do regimento interno que foi derrogado pela Constituição de 88. Então, foi algo totalmente inconstitucional.

Por isso que foi apelidado de Inquérito do Fim do Mundo pelo ministro aposentado Marco Aurélio Mello, quando ainda estava lá. Ele foi voto vencido, e o resto do Supremo aprovou a abertura do inquérito.

E mais: os relatores são escolhidos por sorteio. Só que Alexandre de Moraes não foi escolhido por sorteio, foi nomeado pelo Toffoli. E a maioria do Supremo convive com isso. Vergonha! Isso é ilegal! Não é devido processo legal!

E aí, o senhor Alexandre de Moraes, que acha que o ataque é a melhor defesa, foi para cima do ministro André Mendonça, relator do inquérito do Caso Master e que só aplicou o artigo 37 da Constituição, que manda haver publicidade em tudo no serviço público.

Ele levantou o sigilo dos contatos de Daniel Vorcaro com Moraes porque sigilo em processo é para questões familiares, para não expor problemas internos de família. Mas o caso de Moraes não é de família, não. É algo que envolve a nação brasileira, a moralidade de pessoas públicas, que têm o dever de guardar moralidade, como diz o mesmo artigo 37. Essa é a questão, e o Supremo conviveu com isso, fingiu que não tem problema.

E aí o ministro Moraes, só pode ter sido no desespero, enquadrou no Inquérito do Fim do Mundo o ministro André Mendonça, que tinha mostrado os diálogos dele, as relações dele com Vorcaro.

Como se isso fosse necessário, porque eu acredito que qualquer pessoa que tenha mais de três neurônios percebeu o que aconteceu no dia em que a jornalista Malu Gaspar mostrou, em dezembro de 2025, que Vorcaro tinha um contrato com a família de Moraes, com os dois filhos e a esposa dele, Viviane Barci de Moraes.

Moraes só não assinou o contrato com Vorcaro porque estava no Supremo. Eu posso dizer que Moraes vendeu a alma e a família também, porque, além disso, os dois filhos tinham um cartão de crédito de presente do Banco Master, para gastar R$ 300 mil por mês.

Gente, é uma coisa gigantesca! É uma corrupção amazônica! E o Supremo ficou quieto, e a mídia, que vinha de uma absoluta omissão ante as ilegalidades e inconstitucionalidades, estava muito discreta.

Agora parece que descobriu que criou um monstro, irrigou uma árvore podre. E agora o próprio Fachin quer corrigir, porque viu que o Supremo está desmontando.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está sob pressão, mas ele é outro que é responsável, porque poderia ter resolvido isso simplesmente pondo em votação pedidos de impeachment contra Moraes. Se não tiver maioria, não sai o impeachment, pronto.

* * *

A melhor solução é por meio do voto

Agora, meus amigos, minhas amigas, nós temos uma eleição pela frente, e é a melhor maneira de sair dessa crise. Porque existem outras maneiras, mas que vão cobrar um pedágio muito pesado para a nação brasileira. A melhor maneira é pelo voto, elegendo só candidatos ao Senado que queiram resgatar o Supremo através de uma filtragem, uma seleção para separar: fica o trigo e tira o joio.

E temos oportunidade também de tirar um presidente que estimula roubo de celular para tomar cervejinha, que diz que a mãe o ensinou a mentir e que estava totalmente envolvido na Operação Lava Jato, cujos processos foram cancelados pelo Supremo.

Ele não foi inocentado. O processo foi cancelado por uma questão de CEP: “Ah, não era em Curitiba que deveria ser julgado!”.

Qualquer julgamento deste país que fosse até o fim, até a sentença, não deveria voltar atrás. Esse é o histórico da Justiça brasileira. Já foi tudo concluído. Para que voltar atrás e começar de novo?

A não ser que seja um caso especial de um Supremo que abandonou o seu objetivo de ser uma corte constitucional para se tornar um tribunal político. E, como todo tribunal político, sofre o desgaste da política, fica sob o escrutínio do povo, que é a origem do poder. E o Supremo está pagando caríssimo por isso.

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