PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Meu coração tem catedrais imensas,
templos de priscas e longínquas datas,
onde um nume de amor, em serenatas,
canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
vertem lustrais irradiações intensas,
cintilações de lâmpadas suspensas
e as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais,
entrei um dia nessas catedrais
e nesses templos claros e risonhos…

E, erguendo os gládios e brandindo as hastas,
no desespero dos iconoclastas,
quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

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