JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

Oscar Coutinho provocou, “Medicina é mais difícil que Direito”. Respondi: “A diferença é que o erro do advogado fica no processo. E, o do médico, se enterra junto com o paciente”. Isso para dizer que não vou falar da vacina, propriamente. Assunto para grandes médicos, como ele. Mas se deve, ou não, ser obrigatória. Problema dos advogados.

Para começar, vacinas, em adultos, não são obrigatórias em nenhum dos 193 países da ONU. Até a OPAS é contra, entendendo ser suficiente metade da população. Em poucos países da Comunidade Europeia, como França e Itália, assim se dá só para proteger crianças contra pneumonia ou doenças contagiosas. Nos Estados Unidos, os Centers for Disease Control and Prevention estão sendo pressionados para que algumas sejam aplicadas em crianças nas escolas. Apesar desse consenso, o Presidente do Supremo afirmou (em 23/10) “ser necessário que o Judiciário decida sobre a vacinação”. Trazendo a brasa para sua sardinha. Mais um erro, no horizonte da converter cada um de nossos 11 Supremos em donos do país. Quando, em nenhum lugar do planeta, o judiciário está decidindo isso. Trata-se, não pode haver dúvida, de atribuição do Executivo. E do Legislativo. Por exemplo, na Europa, certos países (como Portugal) têm até leis que simplesmente proíbem essa obrigatoriedade.

O culpado, nesse debate bizarro, é o Presidente Bolsonaro. Tivesse dito que a vacina deveria ser obrigatória e a Grande Mídia, na mesma hora, estaria contra. Diria ser uma atitude autoritária. De Ditador. E defenderia, ardentemente, sua não obrigatoriedade. Como se fosse um embate da liberdade contra o totalitarismo. Só que a posição dele, num espasmo raro de sensatez, é de não ser obrigatória. E os grandes jornais passam a defender que seja. Como autômatos. Capazes só de fazer oposição. E, nessa tarefa, tudo vale. Um deles fez graça, “Bolsonaro acha que vacina obrigatória é só para seu cachorro Faísca”. Pouco, para quem defendeu sua morte como solução para todos os problemas do Brasil.

No meu caso, antecipo que não tomarei. Porque já tive. O laboratório Genomika/Einstein atestou que sou “IgC reagente” e “IgM não reagente” para a Covid19. A partir daí, não posso mais ser contaminado. Nem contaminar ninguém. Já tendo, meu corpo, a proteção ao vírus que decorreria da tal vacina, é como se já fosse vacinado. Não sou ameaça para os outros. E tenho direito de não correr os riscos, assim considero, que uma vacina como essa representa para quem não é jovem. Como já decidiu o próprio Supremo, no HC 71.373/96, ao reafirmar o “princípio da intangibilidade do corpo humano”. Traduzindo, ninguém pode enfiar agulha, no braço de ninguém, sem consentimento do próprio. Não tomarei, ponto. Se o Supremo assim determinar, posso até ser preso. Fiquem à vontade. Preso eu, enquanto André do Rap está solto. Em resumo, amigo leitor, posição mais sensata é mesmo desejar que a grande maioria dos brasileiros aceitem a vacina. Com respeito àqueles que não devam, por razões médicas. Ou não queiram, por razões íntimas. Democracia é isso.

13 pensou em “VACINA, SIM. OBRIGATÓRIA, NÃO

    • Caro Antônio,

      Se você quer tomar, então toma, porra!!! Só não fique enchendo o saco de quem não quer.

      Essa merda de país em que vivemos, tudo tem que ser ou obrigatório ou proibido. Tem que ter sempre um imbecil dizendo o que temos de fazer, tim tim por tim tim.

      QUE MERDA!!!!!

      • Escreveu a Dra.Akemi Shibao, entre outras coisas: tempo médio para o desenvolvimento de uma vacina segura, ética, eficaz e com imunogenicidade duradora leva de 10 a 15 anos.

        Pitaqueia Sancho: Como detesto “uma rapidinha”, pois sou adepto de “preliminares demoradas”, aguardarei uma comprovadamente eficaz.

        Escreve, ainda, a doutora: A obrigatoriedade fere o princípio da livre escolha individual, consciência do indivíduo e o direito de objeção de consciência.

        • Pesquisa PoderData mostra:

          29% dos brasileiros preferem tomar uma vacina contra covid-19 que seja feita nos Estados Unidos.

          20% afirmam que, se pudessem, escolheriam 1 imunizante que fosse feito por países da Europa.

          Optam por vacinas desenvolvidas por farmacêuticas da China 9%

          Optam por vacinas desenvolvidas por farmacêuticas da Rússia 3%.

          Sancho opta pela de Oxford depois de todos os estudos que comprovem eficácia sem danos para a saúde humana.

  1. Mestre José Paulo foi cirúrgico! (pra manter o vocabulário médico em pauta)
    Diagnosticou a questão jurídica e já prescreveu o tratamento.
    Eu, que, até onde sei, não estou imunizado da COVID19, pretendo tomar a vacina.
    Antes, porém, vindo qualquer ordem me obrigando à vacinação, questionarei a ordem em juízo.
    Exijo que seja garantido meu direito de só me vacinar voluntariamente.
    Impetrarei um mandado de segurança. Também conhecido como remédio heroico!

  2. O colunista esta cometendo um erro.
    Em casos de pandemia o direito da coletividade se sobrepõe ao direito individual
    Não existe a situação de “não quero tomar a vacina” porque a eficácia da vacina está ligada diretamente à porcentagem da população vacinada. Então, não é simplesmente uma decisão de cunho pessoal. Quem decide não tomar a vacina, por qualquer que seja o motivo, esta contribuindo para que o vírus continue circulando e infectando as pessoas que tem contra indicações para o uso da vacina
    Viver em sociedade, com todos os seus enormes benefícios, implica em abrir mão de algumas coisas
    Ou alguém aqui caça sua própria comida, planta e colhe seus próprios alimentos, tece e costura suas vestimenta ou construiu sozinho sua própria moradia?
    O presidente errou muito e continua errando ao bater nessa história de que “ninguém é obrigado a tomar vacina”
    O que deveria ser feito é uma ampla campanha mostrando a segurança e a eficácia de qualquer vacina que venha a ser autorizada pela ANVISA para que aconteça uma diminuição drástica na circulação do vírus e possamos voltar a uma vida mais ou menos normal

    • Concordo com Juliano, a quem peço licença pra utilizar seus argumentos futuramente.

      Na mesma medida em que houver a possibilidade de aumento de casos, haverá o risco crescente de estrangulamento do sistema de saúde, e isso leva a dilemas extremamente difíceis para os médicos, o que inevitavelmente vai acontecer e que já aconteceu: quem vai deixar de ser atendido? Quem tem prioridade de viver, se houver alguém da própria família pleiteando vagas?

      Particularmente, há 8 meses convivo com a realidade de ter um filho médico nas emergências, dormindo fora de nossa casa para nos preservar. Nesses atendimentos, certamente ele corre um risco maior que vários filhos dos demais comentaristas daqui.

      Pela minha condição particular de fazer parte de grupo de maior risco por obesidade / hipertensão arterial, e por ser pai de médico, reconheço minha parcialidade nessa discussão. Por outro lado, pessoas que não têm nada com esses meus problemas particulares, também deveriam se preocupar com o estrangulamento do sistema de saúde, que já não é bom sem pandemia.

  3. Se nenhum país da ONU admite essa obrigatoriedade, amigo, não é tão simples. Você sugere que seremos o único certo, e todos estão errados? Aproveito e pergunto se tomarão também quem tem baixa imunidade, quem faz quimioterapia, doentes crônicos, muito velhos, os 6 milhões de brasileiros que já pegaram. Veja meu caso. Tive e o Einstein, de São Paulo, atesta que não posso mais contaminar ninguém. Ainda assim, tenho que tomar? Procurei Oscar Coutinho, meu médico. Perguntei se posso voltar a me contaminar. Ela respondeu que ninguém sabe. Só se saberá daqui a 8/10 anos, o prazo médio em que vacinas são testadas e aprovadas. Perguntei se posso morrer, caso tome a vacina. Respondeu que ninguém sabe; mas, sim, posso morrer. Agora ou depois, por conta desse acúmulo de vírus no organismo. E você sustenta que eu, que já não posso contaminar ninguém, me arrisque a morrer tomando uma vacina? Pelo amor de Deus. Por fim, só lembrar que o corpo é inviolável, entendimento sem divergências do Supremo. Ninguém pode me obrigar a tomar. Podem me prender, para não ser risco a outros. Por quanto tempo? Ninguém sabe. Não há estudos. Posso passar o resto de meus dias preso. Mesmo sem poder contaminar mais ninguém. Essa tese sua é só mais uma das politicamente corretas, de classe média bem comportada, sem nenhuma substância. É só mais uma tese errada. Perdão. Abraços fraternos.

    • Se você se der ao trabalho de ler o que escrevi, ta lá que tem pessoas que não podem tomar a vacina
      Quem já teve a doença obviamente que não precisa tomar a vacina
      Até minha mãe, que tem mais de 70 anos e não tem nenhuma formação na área médica entende que vacina não é tratamento, é prevenção
      Portanto quem já teve a doença não precisa tomar novamente
      E, como já foi dito, é ignorância total ficar debatendo se deve ou não ser obrigatória quando o que deveria ser feito é uma intensa campanha na mídia pra que as pessoas tomem a vacina quando ela for liberada
      O Brasil já tem uma enorme tradição no uso de vacinas há anos, não havia necessidade dessa discussão besta e inútil sobre ser obrigatória a vacina

  4. Li seu texto com atenção, Mestre Juliano. Agora, quem deve ler é você. Lá está a tese de que “ o direito da coletividade se sobrepõe ao direito individual “ . Também, “ ‘ quem decide não tomar a vacina… está contribuindo para que o vírus continua circulando “ . Texto seu. Agora diga, no meu caso. Se não posso mais contaminar ninguém, como é que posso contribuir para que o vírus continue circulando?E onde entra o direito de não tomar, se a coletividade se sobrepõe a meus direitos. Essa tese é o suprassumo do autoritarismo. Perdão. Abraços fraternos.

  5. Errado mais uma vez
    Como foi dito, viver em sociedade implica alguns compromissos
    Se não gosta, então mude para uma cabana no meio do nada e viva uma vida autossuficiente
    Agora, se quiser usufruir dos inúmeros benefícios q a vida em sociedade nos traz, tem q ter algumas responsabilidades tb
    Evidente que quem já teve o virus não precisa tomar a vacina

  6. Mas se for obrigatória, amigo, vou ter que tomar. Em nenhum lugar se diz que algumas pessoas podem se recusar, esse o problema. Abraços.

Deixe uma resposta para Padre José Paulo. Cancelar resposta