PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

No turbilhão da vida cotidiana
Há sempre um rosto oculto de mulher.
Há no tumulto da existência humana
Alguém que a gente quis e ainda quer.

E numa sede de paixão insana,
Cego e humilhado, aceita outra qualquer,
Mas sem íntimo ardor, de alma profana,
Porque a alma nem acordará sequer.

E vão passando, assim, uma por uma,
Mulheres e mulheres como vieram,
Sem depois despertar saudade alguma…

Pobre de quem, como eu, vê que, infeliz,
Teve todas aquelas que o quiseram
Mas nunca teve aquela que ele quis…

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