
Xícara onde era servido o “cafezinho” nos balcões
Ainda dá para ver pelo retrovisor do carro. Não está tão distante assim, aquele passado que conseguia estabelecer e garantir laços de amizades entre as pessoas em qualquer lugar desse Brasil, apesar da sua miscigenação cultural.
Por mim, falo para relembrar da minha então bela e acolhedora Fortaleza, capital cearense – hoje uma grande metrópole brasileira que contribui de forma positiva para o desenvolvimento turístico, por tudo que ali foi construído e é servido atualmente aos visitantes.
Tanto quanto as demais cidades, capitais ou não, Fortaleza tinha um “point” para onde quase todos se dirigiam em busca de interação: a Praça do Ferreira.
Tinha tudo, ou quase tudo. Bares, lanchonetes, bancos, lojas comerciais, padarias, lojas de calçados, cinemas e um vento gostoso que ajudava a levantar as saias das mulheres e mostrava as belas e torneadas coxas.
O caminho mais utilizado para levar à Praça do Ferreira, era a Rua Guilherme Rocha, fazendo uma rápida ligação com a Praça José de Alencar, usada como terminal de quase todas as linhas urbanas que ônibus que serviam a população.
Na Rua Guilherme Rocha existia mais de meia dúzia de botequins que só serviam “cafezinho”. Não existia copo plástico, nem o café era servido em copo de vidro. A xícara apropriada era pequena, de porcelana e o pires era metálico. Ambos esterilizados numa máquina com água fervente, onde também permanecia o bule de alumínio que mantinha o café sempre quente.
Não existia (ainda) o adoçante. O açúcar era servido em recipientes de vidro, para evitar a proliferação de moscas e formigas. Esqueci e dizer que, ali, além do “cafezinho” era vendido também o cigarro. Várias marcas de cigarros – mas a mais vendida era a Continental.

Continental era a marca mais vendida de cigarros
E a gente, embora jovem, tinha sempre algo para conversar com amigos, enquanto tomávamos o “cafezinho”.

Cena comum mostra senhoras conversando nas calçadas
Outro hábito social que merece destaque – e que até hoje tem influência de forma negativa na formação familiar brasileira – era cultura da conversa dos fins de tardes entre as mulheres, quase sempre vizinhas e moradoras do mesmo trecho da rua.
Não se tratava de “fofocar” – embora alguns assuntos pessoais das ausentes fossem falados. As mulheres cuidavam dos afazeres domésticos e dos filhos, enquanto os maridos trabalhavam. Muitas permaneciam em conversas nas calçadas até que o marido chegasse em casa.
O desaparecimento desse hábito proporcionou severas mudanças na vizinhança e, por consequência disso, no relacionamento familiar e social da família brasileira. Há quem responsabilize por isso, o novo pensar e o morar em apartamentos e/ou condomínios fechados.
Excelente. Parabéns!
Nonato, “aubrigado” e Deus nos “proteija”!
Prezado ZéRamos, você como cronista seria um excelente historiador, a forma como voce descreve “nossa” querida Fortaleza das antigas é maravilhosa, nos faz voltar no tempo e hoje, me vi tomando um cafezinho no Café Wal-Can, que ficava no Abrigo Central na Praça do Ferreira. Obrigado e uma feliz semana!.
Marcos, obrigado. Saí de Fortaleza em 1967 e já não lembro muita coisa. Sanduíche do Pedão da Bananada tinha seu valor, nera não?
Esqueci do Pedrão da Bananada véi! Era torcedor “rôxo” do Ceará e o “chanduìsso” era massa!
Era sim. Bati muito papo ali, enquanto esperava na “fila” do sanduíche!