XICO COM X, BIZERRA COM I

Esta noite, novamente relendo Neruda, outra vez resolvi escrever-lhe. Ele também tivera dúvidas muito semelhantes às minhas, incertezas que ninguém tivera condição de tirá-las. E eu precisava saber, por exemplo, quantos metros redondos há entre a lua e a minha pata-de-elefante, lá em Gravatá. Também gostaria de descobrir quantos anos-sombra separam a luz do sol do meu cada dia mais distante arrebol. Não sei se algum dos que ora me leem teriam respostas e, em caso positivo, rogo que façam uma carta a Pablo. Lá do alto, em meio a nuvens carregadas de flores e pássaros, ele ficará tão satisfeito que baterá no peito, fará uma rima e talvez até cante. Certamente gostará de descobrir o porquê de depois de um domingo ensolarado surge sempre uma segunda-feira azeda e acinzentada? Será que alguém já foi conferir as roupas da neblina vestindo o céu? E os trovões, por que fazem tanto escarcéu? Tenho que descobrir por que o pintor deixou a noite escura se seu pincel tinha tanta cor mais pura para oferecer? Por fim, algum iluminado me explicaria a razão de tanta alegria na rua da Saudade durante o carnaval, da escuridão da noite na rua da Aurora e de quantos minutos se revestem o asfalto da rua da Hora em pleno rush das 18 horas. Será que Pablo já descobriu tudo isso ou continua a interessar-lhe apenas a reflexão que cada uma das questões provoca em sua poética alma? Ainda estou por saber a cor do perfume que exala do pranto azul das violetas, assunto sobre o qual escrevi um dia desses … Por enquanto continuarei a observar a flor voar de sabiá em sabiá, deixando-me feliz como a chuva que continua a chover toda a sua alegria.

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5 pensou em “UMA CARTA A PABLO

  1. Modo de sentir.

    Na minha modéstia visão Maiúsculo e Arretado é pouco quando se trata de Xico, o grande poeta caririense das prosas curtas e belas.

    Xico é tão grandioso quanto Neruda, poeta que ele admira.

    Só que eu considero Xico maior, com todo respeito ao grande poeta chileno, detentor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971.

  2. Vixe Maria, agora meu amigo Cícero exagerou em bondade. Valei-me, meu São Frsncisco de Assis. Não tem coração que resista. Outro dia foi Zé Teles que me comparou a Paulo César Pinheiro. Antes, Dr Sérgio Gondim me colocou no mesmo nível de Dylan. Me convenço, a cada dia, que a fortuna maior que se pode desejar é ter amigos generosos. Obrigado, amigo Cícero.

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