Logo após o encerramento do Concílio Vaticano II, os alunos da Pontifícia Universidade Laternense efetivaram um levantamento para se eleger o maior teólogo católico de todos os tempos. E o resultado surpreendeu: o eleito foi Karl Rahner, um teólogo que defendia uma Igreja democrática e aberta, com fronteiras indefinidas, com uma teologia pluralista do ponto de vista teológico, filosófico e doutrinário. Uma nova Igreja, na visão de uma dinâmica juventude católica, embora nem tudo fosse transcorrer como os resultados da pesquisa indicavam.
Karl Josef Erich Rahner nasceu em Friburgo, na Brisgóvia, em 5 de março de 1904, eternizando-se em Innsbruck, em 30 de março de 1984, tendo sido um sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais dinâmicos teólogos do século XX.
Influenciado por Erich Przywara e Joseph Maréchal e estimulado por seus estudos com Martin Heidegger, Rahner tentou estruturar uma síntese da tradição teológica com o pensamento contemporâneo. Ele desenvolveu uma teologia baseada na experiência transcendental.
Karl Rahner foi ainda considerado um representante de uma teologia querigmática e foi um pioneiro na abertura da doutrina católica ao pensamento do século XX, sua teologia influenciando o Concílio Vaticano II, tendo Rahner trabalhado como especialista em sua preparação e implementação.
Rahner foi co-editor da segunda edição da enciclopédia católica Lexicon for Theology and Church e, portanto, teve um impacto em toda a teologia católica de língua alemã. Ele promoveu a comunicação teológica internacional e o diálogo entre a teologia e as ciências naturais.
Karl Rahner cresceu em uma família de classe média. Seu pai lecionou em um curso de magistério. Em sua juventude, ele participou do movimento católico Quickborn, onde conheceu Romano Guardini. Depois de obter o diploma do ensino médio, ele entrou na ordem dos jesuítas em 1922. Mais tarde estudou filosofia e teologia em Feldkirch, Pullach, Valkenburg, Freiburg, em Breisgau e Innsbruck. A participação dele nos seminários de Martin Heidegger nos anos 1934-1936 revelou-se decisiva para o treinamento de Rahner.
Nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, ele realizou atividade pastoral na Baixa Baviera. Depois do conflito, ele continuou sua atividade de ensino, primeiro como professor na escola secundária da ordem em Pullach.
Em 1965, fundou, com Antonie van den Boogaard, Paul Brand, Yves Congar, Hans Küng, Johann Baptist Metz e Edward Schillebeeckx), a revista Concilium, uma das mais importantes da teologia católica contemporânea. Nesta época, ele também voltou a escrever, na forma de ensaios e artigos em prol do pacifismo e do desarmamento nuclear.
De 1967 até aposentadoria, em 1971, ele foi professor catedrático de dogma na Westfälischen Wilhelms-Universität, em Münster. Em 1971 foi nomeado pela Hochschule für Philosophie München como professor honorário para as questões filosóficas e teológicas “na fronteira“.
Em 1969, o Papa Paulo VI nomeou-o membro da Comissão Teológica Internacional, cargo que ocupou até 1972. Em 1981 mudou-se para Innsbruck, onde morreu subitamente em março de 1984 e foi enterrado na cripta da Igreja dos Jesuítas.
Escritor prolífico, Rahner escreveu mais de 800 artigos e ensaios.
A base para a teologia de Rahner: Todos os seres humanos têm uma experiência latente (“não-temática”) de Deus em qualquer percepção de significado ou “experiência transcendental”. Segundo ele, é somente por causa dessa proto-revelação que é possível reconhecer uma revelação distintamente especial como o Evangelho. A teologia transcendental de Rahner atraiu a atenção de teóricos de diversas vertentes teológicas.
Para todos os leitores católicos do JBF, recomendo um lançamento recente da Editora Paulus: DA NECESSIDADE E DA BENÇÃO DA ORAÇÃO, Karl Rahner, São Paulo, Editora Paulus, 2026, 144 p.
Karl Rahner foi um pensador jesuíta muito arretado de ótimo para os atuais momentos planetários.