O resultado da eleição presidencial apontou que o sistema é forte demais para ser vencido. Em 2018 foi, talvez, uma exceção porque “Don Corleone” estava preso, mas ainda assim o STF autorizou entrevistas da cadeia com o intuito de que o “Lula é Haddad, Haddad é Lula”, inclusive com rostos sobrepostos de ambos, mantivesse a hegemonia da engrenagem. Não foi assim e durante quatro anos o Brasil viu a Bolsa de Valores atingir 115 mil pontos, o país crescer em meio a uma pandemia que dilacerou as economias pelo mundo e ser colocado como um exceção em meio aos graves problemas econômicos do mundo.
O que aconteceu no Brasil neste início de século foi o governo Lula, depois o governo Temer e em seguida Bolsonaro. Não houve o governo Dilma. Não houve mensalão, não houve petrolão, não houve benefícios particulares para Lula, o amigo do meu pai nas planilhas da Odebrecht. Não houve desconfiguração do Instituto Lula para distribuir lucros e gerar uma dívida de R$ 18 milhões em imposto, fato identificado pelas notas fiscais emitidas e não pelas provas da operação Lava Jato. Houve uma maioria de brasileiros, 70% deles do Nordeste que, simplesmente, disseram sim a todos estes “não houve” aqui citados.
Acredito que há dois elementos foram fundamentais. O primeiro os votos nordestinos. Lamentavelmente essa região é administrada pela esquerda há muitos anos e as pessoas são incapazes de perceber que a miséria que assola a região é fruto dessa política. Parece-me inconcebível que os potiguares tenham reconduzido Fátima Bezerra ao poder. Ela que levou o estado do Rio Grande do Norte à bancarrota, que deixou as estradas do estado intransitáveis, que não pagou o aumento de 33% aos professores, foi reeleita. Mais quatro anos de descaso e exacerbação da violência. Parece-me imoral que Flávio Dino tenha sido eleito senador pelo estado do Maranhão depois dos índices sociais atingidos no governo dele. Parece-me inconcebível que Paulo Dantas tenha sido eleito governador de Alagoas quando foi afastado do cargo por corrupção e, digamos, em pleno flagrante o povo alagoano votou nesse cara.
A segunda questão foi a armação orquestrada pelo STE e pelo STF. O segundo anulou os processos contra Lula na 13ª vara federal de Curitiba alegando incompetência e o primeiro garantiu todas as condições eleitorais para que Lula, sem a menor condição de sair sozinho às ruas sem ser chamado de ladrão, sem participar de debates, sem nunca falar publicamente sobre proposta econômica – fato que Ciro Gomes chamou de “dar em cheque assinado em branco” – e apenas com o entorno dos dependentes de sempre, apenas fazendo aparições em plateias esvaziadas e simpatizantes, tivesse mais votos na eleição.
Você percebe que algo está errado quando: Ciro Gomes chamou, exaustivamente, Lula de ladrão; quando Geraldo Alckmin chamou, exaustivamente, Lula de ladrão; quando Simone Tebet diz que Lula não foi capaz de conter a roubalheira; quando Janones falando sobre o tal do orçamento secreto disse que “na época da roubalheira do PT era muito pior”. Diante de tudo, isso e apesar de tudo isso, estas pessoas passaram a apoiar Lula em “defesa da democracia” que, de fato, só esteve ameaçada por ações do STF. Não me convence o fato de se votar em Lula, depois de todas as constatações dos seus desvios imorais, apenas porque Bolsonaro é rude, grosso, ignorante, etc. Há muito por baixo dessas águas que nunca chegaram ao nordeste na época do PT.
Num grupo de professores que participo tem um lulista que é professor de Ética e numa das conversas por zap eu perguntei como ele se sentia diante da turma tendo que ensinar ética e publicamente defender voto num corrupto. Minha resposta foi um pedido pra mudar de assunto, para não debater política no grupo. Tudo bem, eu não queria debater, queria apenas ouvir uma explicação sobre essa incoerência.
O que se esperar do Brasil a partir de janeiro de 2023? Primeiro, o relaxamento do teto dos gastos – essas foi uma mais claras propostas – e o aumento na quantidade de ministérios para abrigar Simone Tebet que queria a Educação, mas esta deve ir para o derrotado Haddad. Ministérios para o PDT de Ciro Gomes e para Janones, quiça a Comunicação. Mais uma vez, quem apoiou Lula o fez por mero interesse, exatamente ao contrário de quem votou em Bolsonaro que o fez pela manutenção de um Brasil melhor.
A segunda questão que vai pegar é a alteração da reforma trabalhista, principalmente no que concerne a volta dos sindicatos. Jamais Lula deixará de atender os sindicatos visto que, todos se lembram, foi na CUT que ele se refugiou quando teve sua prisão decretada. As propostas de liberdade econômica vão para puta que pariu e eu tenho sérias dúvidas se vamos conseguir manter a inflação abaixo de 10%, porque a irresponsabilidade fiscal vai imperar. O desafio do governo: manter os benefícios do auxílio Brasil, do caminhoneiro ou pior ainda: renda mínima de R$ 1.000,00 como na proposta de Ciro e sendo essa uma das condições impostas pelo PDT para apoiar Lula.
É muito provável que as estatais que hoje dão lucro, voltem a amargar prejuízos astronômicos por uma simples razão: nos últimos quatros anos elas foram administradas como empresas privadas que deveriam maximizar os lucros e nos tempos do PT elas se prestavam para atender um fim específico: fonte de arrecadação para partidos políticos.
No mais, aparelhamento do estado e perseguição “oculta” aos desafetos. A Jovem Pan deverá sentir na pele todas as dores provocadas. Os fiscais da Receita Federal que verificaram o débito fiscal, certamente serão relegados a segundo planos. Meros atendentes de balcão. Eu comecei a depositar um pouco de fé no congresso eleito com maioria mais conservadora, mas honestamente eu não tenho segurança nisso. Temos 99 deputados do PL que teriam um tratamento diferenciado se o presidente fosse do mesmo partido.
Não custa lembrar que o presidente do PL é Valdemar Costa, um velho amigo de Lula dos idos do mensalão que, provavelmente, vai botar seu exército a serviço do novo rei. Eu não creio muito na continuidade de Bolsonaro no PL e não tenho nem ideia do que ele fará a partir de janeiro, embora as revistas estejam induzindo a responsabilidade por crimes cometidos que serão tratados na instância comum. Como eu não sei quais são, até acredito que será melhor para ele porque o foro privilegiado a chance dele é zero.
No mais, deposito minha esperança mais no senado, particularmente em Sérgio Moro que foi desgraçado publicamente com as conversas vazadas e que ficou a mercê de todo tipo de crítica. O que precisamos é de um presidente sem rabo preso com o STF que tenha coragem de colocar em votação os pedidos de impeachment dos ministros do STF. O inciso III do artigo 39 da lei Nº 1079/1950, diz que “exercer atividade política partidária” é crime de responsabilidade dos ministros do supremo tribunal federal. Alguém duvida que eles fizeram isso desde 2018? Então, dentre tantos apaniguados que se darão bem em 2023, está essa casta nefasta em emporcalha a justiça brasileira.
Finalmente, acho que uma coisa positiva que ficou foi a eleição de Tarcísio de Freitas para governador de São Paulo. O PT foi fundado em 1980, portanto, são 40 anos que o paulistano diz não ao PT, ou seja, em 10 eleições para governo o PT nunca conseguiu convencer São Paulo. Conseguiram convencer o nordeste e se formos comparar o desenvolvimento da região com o estado de São Paulo – não falo nem da região Sudeste – sinceramente, vou procurar alternativas para ir embora daqui.
Em 2026 temos uma chapa forte: Tarcísio de Freitas e Romeu Zema. Este pelo excelente trabalho que tem feito à frente do governo de Minas Gerais, recuperando o estado do estrago feito por Pimentel. Tarcísio tende a ser a maior liderança do que se trata como bolsonarismo. Que bom que Haddad continua sendo…só um poste.
Será que o país vai suportar a espera até 2026?
Arael, a única maneira de antecipar seria através de impeachment. Eu não sei qual será o comportamento desse congresso eleito de maioria conservadora. Tenho receio. De qualquer forma, tem picolé de Chuchu que não vai largar o osso. Nós vamos afundar. A política de liberação fiscal, a criação de ministérios, o apoio aos governos de esquerdo – você ter visto as palavras rápidos do presidente da argentina – isso tudo me deixa, como economista, como nordestino, como brasileiro… muito triste.
Maurício, um detalhe que todos esquecem e muito perigoso. Felício Ramuth, vice de Tarcisio, em quem votei, é ex PSDB e atualmente PSD. Ou seja, partidos socialistas e fisiológicos. Foi um prefeito reeleito da cidade onde resido há 42 anos. Por incrível que pareça, todos os prefeitos do PSDB sempre foram bons prefeitos em minha cidade. Felício Ramuth foi um prefeito, em termos de eficiência administrativa, razoável. Posso afirmar com convicção que, de todos os prefeitos admiráveis de minha cidade, foi extraordinária a administração do brigadeiro Sergio Sobral de Oliveira, nomeado pelo regime militar, pois a cidade era considerada estância e isso possa ter sido uma desculpa pelo fato de abrigar o INPE, o CTA, o IeAV. Criminalidade sobre controle total, corrupção zero. Era admirável ver máquinas trabalhando na madrugada. As escolas municipais eram um brinco, algumas até com piscina. Eu andava pelas ruas de madrugada sem temer. Ano 1976. Brigadeiro Sobral era rigorosíssimo com tudo. Depois, com a redemocratização a coisa começou a ddegringolar, paulatinamente.
Mauro, entendo seu ponto de vista e acho muito interessante. Infelizmente no Brasil não temos candidaturas avulsas e fez por outra a gente vê essa mistura estranha. Mas, nessa relação eu acredito mais que Ramuth vire gente do que Tarcísio virar comunista. Como eu disse, o palanque dele em 2026 está montado. Se ele fizer um governo desenvolvimentista e Zema acompanhar, não tem para ninguém. Serão as duas maiores lideranças do país. Eu espero que ele mantenha a chama do que ele disse em debates sobre a formação de líderes e no meu entender esse pessoal precisa se juntar, imediatamente, e formar um bloco coeso com ideais definidos. Liberdade econômica, não a corrupção, cidadania através de produção, de emprego. Vamos ver qualquer a próxima peça a se movimentar no xadrez