Já trago alguns bons anos nas costas como professor, tanto em escola estadual quanto na educação superior. Comecei a dar aula de Matemática uns 10 anos após ter concluído a 8ª série, equivalente, hoje, ao 9º ano. Quando o colégio começou com o ensino médio, passei a ensinar Física também. Peço perdão aos colegas da época, mas meus professores tinham mais qualidade que meus colegas. A educação é base para qualquer modelo de desenvolvimento econômico e social de qualquer nação, exceto para aqueles malucos dos talibãs que não permitem mulheres nas escolas.
No Brasil, o sistema educacional enfrenta uma crise prolongada e os gestores insistem em manter essa estrutura deficiente, professores insatisfeitos, mal remunerados e, em alguns casos, poucos comprometidos em melhorar a qualidade de ensino. Uma questão que vejo sempre é a responsabilidade sobre o método Paulo Freire e eu sempre pensava que, talvez, o ângulo de estivesse errado, posto que Paulo Freire desenvolveu um método para alfabetizar adultos. Então, em tese, ele não seria responsável pelo fracasso do ensino. Mas, a gente entende que o fracasso não foi propriamente por ensinar às crianças, mas por tentar adaptar para as crianças, um método politizado que era destinado a adultos. Os professores compraram essa ideia e a consequência foi a prática doutrinária.
A realidade do Brasil é chocante porque somos marcados por deficiências estruturais, baixa qualidade de ensino e desigualdade de acesso. Essa situação compromete não apenas o futuro das novas gerações, mas também a capacidade do país de competir em um cenário global cada vez mais pautado pelo conhecimento e pela inovação, fato, facilmente comprovado pelos resultados dos nossos estudantes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) que é coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O desempenho do Brasil revela, de forma contundente essa fragilidade. Basta procurar na internet os nossos resultados e, tenha certeza, você não vai se chocar com isso. Vai, simplesmente, constatar que estamos, geralmente, nas últimas posições do ranking mundial, com desempenho muito abaixo da média da OCDE em leitura, matemática e ciências. A distância entre o Brasil e países líderes, como Singapura, Japão e Coreia do Sul, equivale a vários anos de escolaridade. Vamos fazer uma analogia: o que os alunos do Japão, Singapura e Coreia do Sul, aprendem nos primeiros anos, o aluno brasileiro leva uns 8 anos para “desconfiar”.
Buscar causas para essa situação calamitosa, irá aparecer inúmeros argumentos, por exemplo, falta de recursos para educação, falta de investimento em educação, subfinanciamento e vai por aí. Eu sempre desconfio quando dizem que “faltam” recursos e acho isso ridículo. O pessoal quer fixar o gasto em educação como fração PIB, algo como 12% do PIB seria destinado à educação. Agora pergunte em que esse dinheiro seria aplicado?
Eu citei as condições dos professores, mas acho que isso pode ter um peso diferente do desvio de finalidade na educação. Se o professor ensinasse o que se exigem nos planos, tranquilo, mas o que hoje se ensina são coisas pontuais relacionadas com a dominação de classes, socialização etc. Não restam dúvidas de que professores brasileiros recebem salários significativamente menores do que seus pares em países desenvolvidos e, em muitos casos, trabalham em condições adversas, com turmas superlotadas e falta de apoio pedagógico, de tecnologia necessária para uma boa aula. Isso dificulta a atração e retenção de profissionais qualificados e impacta diretamente a qualidade do ensino.
A desigualdade social agrava ainda mais o cenário. Alunos de escolas públicas, especialmente nas regiões mais pobres, têm acesso muito limitado a materiais didáticos de qualidade, programas de reforço e atividades extracurriculares. Essa disparidade se traduz em diferenças profundas no desempenho escolar, perpetuando o ciclo da pobreza. E não pense que isso incomoda gestores de escolas ou o governo. Na verdade, a manutenção dessas falhas é importante para os gestores políticos. O presidente atual, já disse que quando uma pessoa passa a ganhar um determinado valor ou conseguir uma formação profissional, então dele deixa de votar no PT.
Além disso, a gestão educacional sofre com problemas de coordenação entre União, Estados e Municípios, gerando sobreposição de políticas, falta de continuidade e desperdício de recursos. Planos e programas muitas vezes são descontinuados a cada mudança de governo, impedindo avanços consistentes. Junte a isso, o currículo escolar, que é, absurdamente, desconectado da realidade contemporânea e das demandas do mercado de trabalho. No ensino superior, o sentimento que eu tenho é que não estamos preparando jovens para o mercado.
O fracasso educacional brasileiro não é inevitável. Países que já enfrentaram desafios semelhantes, como Portugal e Vietnã, conseguiram reverter trajetórias negativas por meio de reformas abrangentes e persistentes. O Brasil precisa seguir esse caminho, com compromisso político, participação social e visão estratégica.
Se a educação é a chave para o desenvolvimento, a atual situação representa um obstáculo que precisamos remover com urgência. Sem isso, continuaremos condenando gerações ao subemprego, à baixa produtividade e à exclusão social — um preço alto demais para qualquer nação que almeje um futuro digno e próspero.
Feliz dia dos pais Assuero. Hoje envergonha alunos de níveis superiores usarem calculadora para fazer alguma operação básica de matemática. Fui aluno no tempo do coturno, levei muitas carreiras com bandeiras enroladas, mas hoje tenho consciência de como fui usado por um sistema que hoje mostra sua cara, putrefo.
Obrigado amigo. Estudei no interior e a base que eu tive é melhor do que a que vejo hoje. Lá o pessoal ensinava conteúdos e hoje o pessoal prefere ensinar o socialismo como forma de salvar o mundo