DEU NO JORNAL

Em mais um episódio do circo armado no Senado, nesta terça-feira, 1º, foi a vez de a médica oncologista Nise Yamaguchi ser ouvida na CPI da Covid. Ao todo, onze pessoas já passaram pela sabatina dos integrantes da comissão. Na sessão de hoje, chamou atenção a maneira como a médica, que, diga-se de passagem, participou na condição de convidada, foi tratada pelos parlamentares.

O que se viu foi uma sucessão de acusações, atropelo nas respostas e insistentes interrupções no raciocínio da profissional. “Estou sendo colocada em xeque com relação às minhas condutas médicas”, afirmou Nise. Ao fazer um questionamento sobre infectologia, o senador Otto Alencar (PSD-BA), médico de formação, chegou a dizer que a médica “não sabe nada” sobre o assunto.

Em um rompante, o presidente da CPI, Omar Aziz, disse: “A sua voz calma, a sua forma de falar, convence as pessoas como se a senhora estivesse falando a verdade. Infelizmente, dra. Nise, o que os seus colegas me falaram, eu retiro completamente. Eles estão totalmente equivocados com relação à senhora. A senhora está omitindo muita coisa”. E ameaçou: “Eu sou presidente da comissão, senador Marcos Rogério, e estou alertando que a senhora vai ser convocada para cá, e não mais convidada”.

O festival de grosserias se estendeu ao longo da sessão. Toda vez que as declarações da oncologista não corroboravam com o relatório final já antecipadamente elaborado pelo relator Renan Calheiros, Nise era impedida de concluir a fala e defender seu ponto de vista.

Durante todo o dia é curioso como não se ouviu um pio das militantes, das jornalistas defensoras das minorias, das artistas que adoram encampar hashtags contra o manterrupting em favor das colegas. Diante do silêncio das feministas e das protetoras dos direitos das mulheres, coube às redes sociais evidenciar o tratamento hostil recebido pela médica durante a sessão parlamentar na tarde de hoje.

3 pensou em “UM CIRCO DE BANDIDOS

  1. O presidente do senado teria obrigação de formalizar um pedido de desculpas à Dra. Nise, em nome da Instituição, pela forma desrespeitosa e grosseira com que a médica foi tratada, na Casa para a qual foi convidada, por um bando de analfabetos de comportamento psicopático que, infelizmente, emporcalham o senado com a sua presença. Mas, é claro, ninguém espera que o covardão Pacheco tome tal iniciativa porque ele é parte da mesma ralé que compõe a cpi. E há pessoas que ainda acham que com essa gente o País tem solução. Que Deus nos proteja!

    • Caro Comandante!

      “Me sinto agredida por um tribunal de exceção”. foi a frase que mais repercutiu de ontem.

      Uma brava mulher, de origem japonesa, com um currículo da área médica irretocável, pouco mais de 1,40 metros de altura, colocou todos aqueles marginais no lixo moral da história.

      Não é só o presidente do Senado que deve desculpas. Há que se fazer uma carta com assinatura de todos os Senadores que não compactuam com o que foi visto ontem, pois a desculpa tem que vir de cada Senador e não de seu Presidente.

      É o mínimo a ser feito

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