Tenho um caso de amor com a chuva. Talvez algo recôndito, escondido na aridez do meu interior. Mas que tenho, tenho. Por menor que seja. Fico ancho ao vê-la correr e escorrer pelo telhado, molhando o chão. Não me importa a quantidade de gotas, basta que caia. Se as sinto, então, alegria maior. E quando o tempo se ‘embonita’ pra chover, escurecendo, a alegria troveja em meu peito. Fico a esperar seus pingos, tal qual se espera a mulher amada, com a mesma ansiedade. Daí a pouco, chuva. Pingos e mais pingos deixando o chão alagado de alegria, poças de felicidade lavando minha alma e complementando meu contentamento. O vento corre mais veloz que de costume e, em sua pressa, dá mais alegria à chuva que chove. Só tenho medo quando ela é muita. Detesto raios e trovões. Prefiro a água caindo, lentamente, macia, escorrendo, molhando … O chão molhado, que ontem era só chão, amanhã será uma plantinha, e depois uma árvore, ou um pé de pau, como eu dizia lá no Crato. E nele pendurados, cajus, ou mangas, ou laranjas, ou seriguelas ou qualquer outra coisa que se ponha na boca para adoçar a vida. Adoro o riso aberto do povo no sertão ao primeiro pingo, só um pingo, mas um mundo de esperança. Daí a pouco a mesa farta, o chão vestido do verde mais verde e a chuva caindo. Que venha a chuva. De preferência, silenciosa, tímida, caladinha, carinhosa, bem chuvinha. Cheia de preguiça. Que nem eu …
XICO COM X, BIZERRA COM I

Assino em baixo, mestre Xico. Vi na Globo quando eles diziam tempo bom ou chuva. Liguei para eles. Não façam mais isso. Que, no Nordeste, chuva é que é tempo bom. Resultado, falaram com o Rio e acabaram mudando. Passou a ser Sol ou Chuva. Ainda bem. Viva Xico. Abraços.