MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Eu tenho inúmeras dúvidas sobre a opinião dos economistas face a situação econômica do país. Lamentavelmente, os conceitos macroeconômicos aprendidos em sala de aula, são suprimidos das decisões, em prol de um posicionamento político. A universidade deixou de ser um local para debate de ideias e se transformou num espaço de doutrinação política. Aí daquele que cai na desgraça de fazer uma crítica, por mais técnica que seja, ao modelo econômico que atualmente vivemos.

Teorias econômicas não são ultimatos. Elas acabam sendo adotadas em momentos específicos e com o objetivo se sanar um problema social. Keynes, em 1936 mostrou que os gastos do governo eram fundamentais para impulsionar o crescimento diante a falência da econômica clássica em fazer a economia se recuperar – levada pela “mão invisível” de Adam Smith – da depressão econômica de 1929. Sua teoria foi alterada ao longo do tempo pelos chamados neo-keynesianos. Obviamente, surgem contra-argumentos, como Milton Friedman e não temos como dizer que um ou outro estão errados. Economia não é uma ciência exata. Em 2013, Eugene Fama e Robert Shiller ganharam Nobel defendendo pontos de vistas contrários sobre o mercado financeiro. Fama defendia que os mercados são racionais e os preços refletem a informação disponível. Sua tese era que as bolhas financeiras racionais não existiam e o mercado se ajussta. Para Shiller, os investidores são impulsionados por fatores psicológicos e comportamento irracional fato que geram bolhas especulativas como aquela imobiliária que aconteceu em 2008 e que quase quebra a economia mundial. Quem tem razão? Ambos olharam o mesmo problema de ângulos diferentes e o que disseram faz sentido, basta olhar o momento.

O que passa a incomodar com a teoria econômica, ou melhor, com a política econômica? O que você faz na tua vida quando determinado remédio que você toma não está trazendo os benefícios necessários para tratar das tuas inquietações, para devolver o teu sono, tua paz, tua saúde? Age! Procura o médico e muda o remédio.

O nome Creutzfeld-Jakob, por exemplo, teve recentemente, entre 10 a 15 milhões de citações nas redes sociais. Ficamos sabendo que se trata de uma doença neurológica, degenerativa e rara, identificada nos anos 1920 pelos médicos alemães Hans Gerhard Creutzfed e Alfons Maria Jakobe, O extraordinário Lito de Souza foi diagnosticado com essa doença e não podemos deixar de reconhecer que os médicos alemães são bons e apresentar problemas que não possuem solução (Parkison, Alzheimer etc.). Lito está fazendo tudo para entrar num tratamento experimental e vamos torcer para que dê certo.

Estou colocando isso porque não é apenas ele quem está acometido desse mal. É o Brasil. Neurologicamente estamos doentes. Não é possível que vejamos o endividamento das famílias chegar a 80%, a dívida pública neste mesmo patamar, o rombo nas contas públicas de R$ 48,2 bilhões, me 2025, o número de empresas que entraram em regime judicial atingiu 5.680, ou seja, uma alta de 24,3% em relação a 2024.

As Casas Bahia entraram com um pedido de regime judicial por apresentar um rombo de R$ 17,8 bilhões. A empresa apresentou um prejuízo contábil recorde de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 – SÓ NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2026 – e promoveu o fechamento de 298 lojas físicas, correspondente a aproximadamente 30% da rede. Demitiu 2 mil funcionários para estancar a queima de caixa, mas a justiça trabalhista obrigou a recontratação dessas pessoas. Olhe a composição da dívida e você verá que quase 95% desse rombo, R$ 16,4 bilhões, corresponde a dívidas com credores sem garantia real, como grandes fornecedores e bancos. Bota teus neurônios para funcionar: por que não se consegue pagar dívidas com os bancos? Porque a taxa de juros do Brasil, em termos reais, é a maior do mundo. Sufoca quem compra a prazo, sufoca as empresas que precisam de capital de giro para operacionalizar seu fluxo de caixa e a culpa dessa situação é a vergonhosa política econômica – se é que se pode chamar essa porra de política econômica – de gastos para além do que se arrecada.

É aqui que mais pesa minhas dúvidas: como um economista consegue defender uma bosta de modelo desses? Quais são as teorias que alguns economistas de apoiam para dizer que esse é modelo que deve prosperar no Brasil? Eu vejo Armínio Fraga dizendo que está assustado, dá vontade de mandar TNC. Agora que a merda virou boné, vem com esse sentimentozinho de culpa? Até parece que só você não sabia que isso iria acontecer.

Todas as estatais dando prejuízo brabo desde 2023. Os Correios que possuem o monopólio das comunicações no Brasil dando prejuízo. Vou dizer de novo: UMA EMPRSA MONOPOLISTA DANDO PREJUÍZO. Sei que não precisa explicar, mas monopólio é a situação em que existem UM VENDEDOR e infinitos COMPRADORES. Os CORREIROS é uma empresa MONOPOLISTA e dá prejuízo. Só no Brasil. E tem economistas que defendem, apoiam e acham que isso é legal. Simples assim.

Ou a gente controla os gastos públicos ou vamos nos lascar com desemprego e juros altos. Não é possível manter uma estrutura com 37 ministérios, com o UBER da FAB levando autoridades em voos solitários pelo nosso lindo céu azul. Não dá. Assim como não dá manter a população do nordeste na pobreza recebendo bolsa família para dar voto ao governo.

Tal qual Lito Souza, o Brasil precisa de um tratamento neurológico, mesmo que experimental. Não reconhecer isso e não lutar para que isso mude, é assassinato premeditado.

13 pensou em “TRATAMENTO EXPERIMENTAL

  1. Sinceramente , acredito que perdemos o timing para trocar o médico e/ou o remédio . A doença já tomou o corpo todo . Pode preparar o caixão .

    • Mau-Mau, meu caro Assuero,
      INFELIZMENTE tenho que concordar com Marcelo (em gênero, número e grau)… Assim como aconteceu com Cuba, Venezuela, Nicarágua e quase a Argentina o momento é terrível por qualquer ângulo que observemos (tudo é orqustrado pela canhota para dar errado em todo país que governam).
      Também não ando nada otimista com o futuro da verde-amarela pátria mãe gentil, pois o quadro das pessoas que regem os destinos da nação, seja no âmbito municipal, estadual e/ou federal há muito só nos fazem ter pesadelos terríveis sobre nossos destinos e futuro…
      Hoje a dominical Matilde está assustada

      • Minha querida Matilde, quem espera um Brasil melhor sente essa decepção crescente. É triste isso. Eu comparo ao caso do suicídio coletivo na Guiana Francesa, onde o pastor Jim Jones levou quase mil pessoas ao suicídio. Como uma pessoa ver outro se contorcendo até a morte e faz o mesmo?

  2. Palmas para você meu nobre Assuero, cirúrgico seu comentário, porém quando fala-se em cortar na própria carne, duvido que os poderosos aceitem perderem seus vôos particulares e penduricalhos em seus rendimentos nababescos, perseguirão com facas nos dentes quem tiver essa ideia, para eles, pornografica.

    • Obrigado, meu caro Xavier. Sem uma redução drástica nos gastos, será difícil recuperar a economia. Se reduzir o número de ministérios, fazer concessões e privatizar umas porcarias públicas que tem por aí, a gente consegue êxito em alguma coisa. Mudar a reforma tributária que começa a vigorar em janeiro de 2027. Isso vai afundar mais o país.

    • Xavier, se diminuir o número de ministérios já ajuda bastante. O resto a gente consegue com concessões e privatizações de umas porcarias como os Correios

  3. Parabéns estimado Professor Maurício Assuero, pelo seu excelente texto sobre a economia do nosso País. O povo !!! Terá oportunidade de fazer justiça com a escolha popular. Se não fazer foda-se junto com o essa esquerda de merda.

  4. Perfeita explanação!
    Economizo ler ou ouvir opiniões econômicas de economistas na área de economia porque não economizam em aleivosias e extremamente econômicos em bases da ciência econômica.
    Vou economizar o tempo de todos enonomizando também meu conhecimento deveras em economia.

    • Nonato, infelizmente deixaram a economia de lado e partiram para a politização e manutenção de um grupo no poder. Eu lembro do modelo econômico de Jimmy Carter que levou a inflação nos EUA acima dos 10% ao ano. O povo foi lá e mostrou que não estava feliz elegendo Ronald Reagan. Aqui acontece o contrário.

  5. Excerto de um livro falando de Portugal, mas encaixa como luva em banânia, nénão?

    Nuno Gonçalo Poças, Águas de Bacalhau, p. 231: «O Estado não tem uma administração pública célere, eficaz e vocacionada para servir, antes para atrapalhar o mais que puder. A justiça é lenta, burocrática e cara. As escolas não funcionam por falta de condições, por causa das greves ou da falta de professores. O sistema nacional de saúde é o que se vê. (…) Tudo, ou praticamente tudo, no Estado está feito para contemplar sectores de lobbying, corporações e sindicatos, e nada para corresponder às necessidades das pessoas e das empresas.»

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