JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

“Pula a fogueira, iaiá
Pula a fogueira, ioiô
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira já queimou o meu amor

Pula a fogueira, iaiá
Pula a fogueira, ioiô
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira já queimou o meu amor

Nesta noite de festança
Todos caem na dança, alegrando o coração
Foguetes, cantos e troça, na cidade e na roça
Em louvor a São João”

Francisco Alves

Os anos eram 1952 e 1953. Tenho absoluta certeza.

Pela referência religiosa ligada aos santos Antônio, 13; João, 24; e Pedro, 29, os festejos e quase todos os arraiais eram montados nos pátios das igrejas – a quem também, por justo, cabeça bom percentual do lucro das barracas. Barracas de diversões com jogos infantis e juvenis e comidas típicas.

Ao final de cada noite, como acontecia também nos festejos dos santos e santas que nomeavam as paróquias, o leilão. Aí, o rateio do lucro, era meio a meio.

Detalhe: a igreja só cedia o espaço físico. Nunca comprava ou pagava nada. Só recebia.

Fogos de artifícios

E é aí que entra a história do que vivemos na tenra infância.

Em Fortaleza chegavam os fogos e os artifícios fabricados pela Caramuru.

A publicidade começava a acontecer a partir do começo de maio. Fogos: para a criança que os pais começavam a comprar – traques, fósforos luminosos e bombinhas.

Outras fábricas que nunca se sou se eram idôneas, fabricavam as bombas “rasga lata” e alguns foguetes.

Meu pai me abastecia de traques. Éramos sete irmãos. Os dois mais velhos já viviam a adolescência e os mais novos ainda não haviam chegado. Eu em 1952, tinha apenas 9 anos. Era o escolhido para as proezas do pai.

Os traques que explodiam no chão e nas paredes

Quando chega a noite, lá íamos nós (mãe, tia, primos e primas) para os arraiais da Igreja Matriz. Apenas para nos divertir, pois nunca participamos dos leilões que apregoavam galinhas e perus assados – não havia dinheiro para um único lance.

Mas, havia sempre diversões que nos cabiam: jogo do preá; laçar “carteira” de cigarros; tiro ao alvo – isso sem contar a possibilidade de saborear o algodão doce, os churros, as pipocas e as “chegadinhas” (casca do sorvete, vendidas sem o sorvete).

Vez por outra os auxiliares da igreja mandavam para os ares um ou até dois foguetes – claro que o índice de violência era muito pequeno e todos assistiam aquelas explosões em paz.

Mas, mesmo com o baixo índice de violência, os malefícios estavam sempre presentes. Os maus elementos fabricavam e vendiam (e encontravam quem comprasse) as bombas “rasga lata” – um artefato de explosão forte e barulhenta. Era comum, alguém usar uma lata de leite Ninho e “riscar” o fósforo da bomba e cobrir com a lata.

Era um barulho e perigo enorme. Mas, para uma criança de 9 ou 10 anos de idade, sempre foi uma diversão muito arriscada.

Bomba rasga lata

Quase que como um aviso, foguetes eram acesos e mandados para os céus, anunciando o encerramento do arraial naquela noite. A seguir, estava sendo iniciado, também, mais um leilão em benefício das “obras” da Igreja Matriz.

Foguetes juninos

2 pensou em “TRAQUES E BOMBAS

  1. Eita!!! Saudade da minha infância e adolescência, quando era época junina.
    Em cada rua praticamente, uma palhoça e todos se divertindo!!
    Balões passavam “avuando” pelo céu e era lindo de se ver!!
    Fogos?? Já fiz muita presepada, amigo Zé Ramos!! Mas isso é conversa pra outra hora.
    Fogueiras em todas as casas das ruas e o forró pé-de-serra comendo no centro!!
    Comida farta e muita alegria.
    Muitos bacamarteiros dançando e “explodindo” seus bacamartes…
    Isso acabou.
    Imagina o pai chegando em casa e dando uma chuvinha para o garoto acender… E aí ele pergunta: Como é que liga isso??
    É o preço que pagamos pela tecnologia.
    Obrigado por essas lembranças em seu texto.

  2. Maurino, claro que as duas já estão num outro plano celestial – mas, minhas duas madrinhas que mais respeitei, foram a de batismo e a de fogueira. A reverência de pedir bênção era a mesma. Madrinha, padrinho, compadre e comadre de fogueira. Tradição que, mesmo sendo de época, merecia grande respeito.
    Era “lindo” a gente ver um foguete “rabo de saia” fazendo zigue-zague pelo chão!

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