PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Que suspensão, que enleio, que cuidado
É este meu, tirano deus Cupido?
Pois tirando-me enfim todo o sentido
Me deixa o sentimento duplicado.

Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido
E tenho já de morte o mal logrado.

Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto
Mas meu mal (ai de mim!) não se suspende.

Ó cesse, cesse, amor, tão raro encanto
Que para quem de ti não se defende
Basta menos rigor, não rigor tanto.

Violante do Céu, Lisboa, Portugal (1601-1693)

Um comentário em “TIRANO DEUS CUPIDO – Soror Violante do Céu

  1. Difícil para a Soror Violante ter que dividir seu amor a Deus e a um suposto amor pagão.

    Só de sentir lhe há um dano, do qual não há como defende-se.

    Então teria que ter menos rigor consigo mesma, já que a vida é curta (apesar de ter vivido mais de 90 anos, uma enormidade para a época) e a morte uma certeza.

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