XICO COM X, BIZERRA COM I

Quando os telefones eram pretos, a gente ligava o rádio e escutava música boa. Plataformas, só existiam as de prospecção de petróleo. Deezer e Spotify, disso não se ouvia falar. Arco-Íris, estes sim, já existiam, coloridos tais como são hoje em dia. No meu tempo eram pretos os telefones. Iguais ao de Rubem Braga.

Mas tudo mudou, evoluiu, na visão de alguns. Já não consulto a empoeirada Barsa quando a dúvida aflora. Minha Enciclopédia Britânica, que tantas vezes me socorreu, nem sei onde está. Nem vou procurá-la: dela não preciso. À curta distância de meus dedos está o Google, que tudo sabe e me tira dúvidas em fração de segundos. Sou de um tempo que passou. Meus grandes influenciadores eram meus pais e meu avô materno, Poeta, professor de Português e de Latim (sim, houve um tempo em que se estudava Latim, origem de nossa inculta e bela flor do Lácio, segundo Bilac). Estes, sim, exemplos de bom caráter e retidão desde quando nem se ouvia falar de Internet, dos atuais ‘influencers’. Tempos em que as redes serviam tão-somente para o balanço das merecidas sestas após o almoço.

Minha avó falava-me que o tempo é o senhor da razão. Nunca entendi o sentido da frase. Mas sei que ele não volta. A verdade é que tudo passa, rapidamente, sem esperar por ninguém, queiramos ou não. Evoluamos, pois. Se alguém souber, aguardo sugestão: que faço com as fichas do ‘orelhão’ que me sobraram no bolso de minha camisa ‘Volta ao Mundo’? Além delas resta-me a saudade dos telefones pretos.

* * *

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4 pensou em “TELEFONES PRETOS

  1. Meu Caríssimo Doutor,
    obrigado pela sugestão, mas:

    Se acaso jogá-las fora
    Me desfarei das saudades
    E de tantas amizades
    Que já não as tenho agora
    Eu vou preferir guardá-las
    No fundo de minhas malas
    Pra tristeza ir embora

  2. Mestre Xico,

    Tenho algumas guardadas no fundo da gaveta de uma escrivaninha de madeira que pertenceu ao Velho.

    Saudades!

    Todas são lembranças de amigos, uns já encantados, que deixei de telefonar porque quando chegava ao orelhão, a fila estava enorme e o telefonema era adiado.

    “Saudades é como um parafuso na rosca…”

    Forte abraço, grande poeta.

  3. Meu Poeta Ciço, concordo dizendo:

    A distância é dolorida
    Quem fala isso não mente
    Comigo não é diferente
    É notícia conhecida
    Abala e destrói a vida
    É lembrança que magôa
    Maltratando a pessoa
    Do começo até o fim
    Saudade é coisa ruim,
    até quando é da boa
    XB

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