PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E pra o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar…

Chegaste enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar;
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia d’oiro dos desertos
Procura-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu fui nova e linda!…
E a minha boca morta grita ainda:
“Por que chegaste tarde, Ó meu Amor?!…”

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “TARDE DEMAIS… – Florbela Espanca

  1. “Quando chegaste enfim, para te ver…”

    Quem chegou? O amor, não o amor pagão.

    Não há desejos carnais ou volúpia nestes versos.

    Apenas uma espera ansiosa, mas serena.

    Quem chegou, chegou para a Florbela ver e não o contrário.

    E que chegada; milagres, noite a iluminar, pedra a florescer…

    Nunca é tarde demais.

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