PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Por mais que aspire ou queira, anele ou tente
Esquecer-me de ti – jamais me esqueço,
Ó bem amado ser por quem padeço,
Por quem tanto soluço inutilmente!

Bem que eu te peça, foges de repente,
E só me fica a dor que te não peço;
E eis tudo, ó céus! eis tudo o que eu mereço,
Em paga deste amor tão puro e crente.

Se te não move, pois, um desafeto
E se te apraz ao menos consolar
A desventura amarga deste afeto,

Ilumina com teu divino olhar
Esta alma que os teus pés, anjo dileto,
Vem, banhada de lágrimas, beijar.

Adelino Fontoura | Academia Brasileira de Letras

Adelino Fontoura Chaves, Axixá-MA (1859-1884 – 25 anos)

Um comentário em “SÚPLICA – Adelino Fontoura

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *