02Poisa a tua cabeça dolorida
Tão cheia de quimeras, de ideal
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.
Hás de contar-me nessa voz tão q’rida
Tua dor infantil e irreal,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.
E hás de adormecer nos meus joelhos…
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão de fazer-se leves e suaves…
Hão de poisar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente
Sobre o teu rosto, como penas d’aves…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Ah o Alferes, tão sonhador.
Dividido entre ideais, mas que vai levar suas quimeras, ora à sua irmã compadecida, ora à sua amante, nossa Florbela.
Os homens nascidos ricos, em todos os tempos precisam encontrar sentido para suas vidas vazias.
O Alferes foi se aventurar pelo mundo, porém vai buscar consolo nas suas mulheres.