PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

02Poisa a tua cabeça dolorida
Tão cheia de quimeras, de ideal
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.

Hás de contar-me nessa voz tão q’rida
Tua dor infantil e irreal,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.

E hás de adormecer nos meus joelhos…
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão de fazer-se leves e suaves…

Hão de poisar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente
Sobre o teu rosto, como penas d’aves…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “SUAVIDADE – Florbela Espanca

  1. Ah o Alferes, tão sonhador.

    Dividido entre ideais, mas que vai levar suas quimeras, ora à sua irmã compadecida, ora à sua amante, nossa Florbela.

    Os homens nascidos ricos, em todos os tempos precisam encontrar sentido para suas vidas vazias.

    O Alferes foi se aventurar pelo mundo, porém vai buscar consolo nas suas mulheres.

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