Um sonho voava alto e sem destino na terra triste dos sonhos não sonhados. Procurava alguém que o adotasse. Ninguém o desejava, por triste que era. Mas era um sonho, apenas um sonho, como outro qualquer, e desejava ser sonhado.
Uma menina bonita apiedou-se e resolveu sonhá-lo, fazer do sonho perdido um sonho verdade naquela noite de sono pouco. E sonhou. E aí, águias enormes povoaram o céu denso e cinzento da menina e sobrevoaram sua cabeça fazendo com que seu travesseiro ficasse duro como pedra.
Antes do despertar, as águias voltaram a ser pequenos pássaros cantantes, sabiás e curiós, que alegraram a manhã da menina sonhadora em sua cama de lençol branco, cambraia de cheiro bom.
Ao acordar, o travesseiro agora fofo da menina percebeu seu sorriso largo. Foi quando ela fechou os olhos e entendeu, a partir daquele dia, que qualquer sonho, ainda que pareça um pesadelo, é para ser sonhado por ser esse o destino de todos os sonhos.
