PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, –
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Joaquim Maria Machado de Assis, Rio de Janeiro-RJ, (1839-1908)

Um comentário em “SONETO DE NATAL – Machado de Assis

  1. Disse Machado de Assis, o maior escritor brasileiro sobre o Natal;

    “Mudaria o Natal ou mudei eu?”

    Não conseguia por no papel mais do que isso sobre aquela mesma velha noite amiga,
    Noite cristã, berço do Nazareno.

    Tanto talento e só lhe saiu isso.

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