Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma…Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua…, – unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois… – abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada…
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Maria dos Reis Pereira, o José Régio, Vila do Conde, Portugal (1901-1969)
SONETO DE AMOR é um belo poema de intensidade física e espiritual que exalta a entrega carnal e comunhão profunda entre os amantes, de forma direta, sem rodeios e sem o uso de subterfúgios ou palavras excessivas.
Nesta obra o poeta faz um apelo ao silêncio, propondo que a amada abandone as palavras e as expressões poéticas tradicionais, preferindo o contato físico direto e sincero.
Os versos descrevem o abraço íntimo, os beijos e o toque de forma crua e sem receios morais e sociais.
Após o clímax da entrega, o poema retorna à serenidade do olhar mútuo, onde a vida se expressa de maneira pura e sem disfarces.
Aqui o tom é direto, o discurso é papo reto, e o poema é papo dez.
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