PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Não me ouvirás… É vão… Tudo se espalha
pelos ermos de azul… E permaneces
sobre o vale das súplicas e preces
com solenes grandezas de muralha…

Minha alma, sem te ouvir nem ver, trabalha
tranqüila. Solidão… Desinteresses…
Por que pedir? De tudo que me desses
nada servira a esta existência falha…

Nada servira, agora… E, noutra vida,
oh! noutra vida eu sei que terei tudo
que há na paragem bem-aventurada…

Tudo, – porque eu nasci desiludida,
e sofri, de olhos mansos, lábio mudo,
não tendo nada e não pedindo nada…

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964)

Um comentário em “SOB A TUA SERENIDADE – Cecília Meireles

  1. Eu vejo neste Soneto uma conversa com Deus de alguém que já viveu a vida.

    Não é uma conversa rancorosa, tampouco de súplica; é uma conversa serena.

    Alguém que recebeu muito, porém permaneceu só, tranquila no seu trabalho.

    Demonstrou a fé de que sua vida não foi em vão; “…noutra vida eu sei que terei tudo que há na paragem bem-aventurada…”

    O soneto alimentou minha alma.

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