MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Nossa Câmara dos Deputados, em mais uma daquelas votações que tratam dos temas que interessam a eles, no estilo “quando a gente vai ver já foi”, aprovou uma proposta que praticamente acaba com a Lei de Improbidade Administrativa.

Pela nova proposta, a lei só abrange os casos em que for “comprovada a intenção de causar dolo”, os prazos de prescrição passam a ser ínfimos em comparação com a velocidade da nossa justiça, e não pode haver nenhuma punição até o famoso “trânsito em julgado”, o que pode levar décadas.

O placar da votação foi de 408 a 67.

Votaram em peso a favor da proposta a “esquerda”, a “direita” e o “centrão”, incluindo os seguintes deputados que são considerados “alinhados com o governo”:

– Eduardo Bolsonaro
– Bia Kicis
– Carla Zambelli
– Carlos Jordy
– Hélio Lopes
– Major Vítor Hugo

13 pensou em “SÓ CONSTATANDO

  1. Marcelo,

    “quando a gente vai ver já foi” ou o famoso: “vou botar só a cabecinha”…

    Ah, os políticos brasileiros… Nunca a nos surpreender…

    Bezerra da Silva – Meu Pirão Primeiro…

    Farinha pouca, meu pirão primeiro / Farinha pouca, meu pirão primeiro.

    Eles se apresentam na lista que os partidos nos ofertam nas urnas e somos irremediavelmente “obrigados;’ a votar nos menos ruins… Que sina!!!!! Sempre teremos apenas os menos ruins à disposição?

    É crua a vida. Alça de tripa e metal.
    Nela despenco: pedra mórula ferida.
    É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
    Como-a no livor da língua
    Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
    No estreito-pouco
    Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
    Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
    E perambulamos de coturno pela rua
    Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
    A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
    E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
    Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

    Hilda Hilst Alcoólicas.

    • Isso vem de longe, muito longe, Sancho. No mínimo desde os tempos de Dom Manuel, o Venturoso, Isabel de Castela e Fernando de Aragão.

      Curiosidade: você sabia que o Dom Manuel casou três vezes? A primeira esposa foi Isabel, filha dos Reis Católicos que era viúva de seu sobrinho Afonso. Quando ela morreu, Manuel casou com a irmã dela, Maria. E quando Maria morreu, Manoel casou com Leonor, que era sobrinha das duas (filha de Joana, a Louca). Tudo em família.

      Lembrando que Manuel, Isabel e Fernando eram todos bisnetos do rei João I, e portanto eram primos.

  2. É isso, Sr. Marcelo Bertoluci.
    O senhor já disse tudo.
    “Só Constatando”.

    Quando 72 senadores do total de 81. Aprovam “passaporte de vacina”. Mais uma vez “Só Constatando”.

    Segue o barco… A fila anda…
    E não estamos sendo mais enganados com futebol, novela e carnaval, hein?
    Qual será o “Panis et Circenses”
    desta conjuntura?

    • O circensis são as novelas, o futebol, o BBB e os noticiários da TV que falam de política como se fossem aqueles programas de fofoca de celebridades (tipo Leão Lobo e Sônia Abrão).

      O panis é a certeza que quase todos os brasileiros têm de que precisam do estado para viver, que sem o estado lhe dando ordens e tomando seu dinheiro em troca de supostos serviços “grátis”, seríamos todos uns coitados incapazes de tomar conta de nós mesmos. Implantar esse pensamento nos brasileiros, desde a primeira infância até a faculdade, é o principal objetivo do nosso sistema educacional.

  3. Nossa situação é parecida com aquela, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Temos instituições fracas sob todos os aspectos, Executivo, Legislativo e Judiciário se equivalem em incompetência, corrupção e desinteresse pelo Brasil. Trabalham defendendo suas demandas imediatas sem pensar em construir uma Nação capaz de oferecer condições em que o cidadão e os negócios prosperem e possam sonhar com um lugar melhor para viver. Mesmo nessa condição de pouca utilidade, são esses Três Poderes que podem garantir a tão ameaçada democracia, que nos dá o direito de escolher, bem ou mal, os homens que fazem as leis, julgam e executam. Por tanto, apesar dos erros que cometem, precisamos respeitá-los e mantê-los funcionando, só assim teremos o direito de trocar e escolher melhor muito em breve.
    O voto dos Bolsonaros nesse projeto não é surpresa para ninguém. Esse é o interesse que une PT, PSDB.. todos os Ps + Bosonaro. A impunidade é o objetivo deles todos.

    • Concordo com sua análise, Eduardo, mas não tenho esperança de que esse sistema que chamamos “democracia” traga alguma chance de mudança.

  4. Caro Marcelo, uma de mudança da Lei de improbidade administrativa com votação com 408 votos a favor e 67 contra tem que ser analisada com cuidado, pois não se pode fazer acreditar que dentre 513 deputados, 408 sejam picaretas. Vale destacar que apenas os deputados partidos NOVO e PSOL votaram contra em peso. Fora esta votação eu não vejo mais nada em comum entre estes dois partidos.

    V. destacar que seis deputados bastante ligados ao Bolsonaro foram a favor do substitutivo sem dar chance às argumentação dos mesmos foi meio desleal para quem é conservador e apoia o este governo, caso da maioria dos leitores desta Gazeta. Foi para tripudiar assim: -Tá vendo! É tudo mesma coisa, é tudo corrupto na hora de se defender!

    Como eu me recuso a acreditar que é todo mundo igual; eu, ao contrário do Caro Marcelo fui ver o outro lado e os argumentos me convenceram. Como estou com preguiça de elencar um a um, vai uma análise do comentarista Moacir Pereira, do Balanço Geral de Florianópolis, que foi mais honesto e colocou os dois lados da questão.

    • João, como já deixei claro no título, eu apenas constatei um fato, nada de desleal nisso. Desleal seria filtrar os fatos de acordo com a conveniência.

      Opinião sobre o assunto, cada um tem a sua. Algumas mais coerentes com o fato, algumas menos.

    • Caríssimo João,
      Ganhei meu tempo puvindo atentamente o comentarista Moacir Pereira, do Balanço Geral de Florianópolis, que colocou os dois lados da questão.
      Infelizmente tenho sempre muita reserva contra políticos (poucos se salvam na tal seara brasílica) e creio que não se pode dar a mínima chance para que safados se safem.

      Quanto a Bia Kicis e Carla Zambelli tenho acompanhado o trabalho das belas e aprovado quase sempre, assim como os homens elencados pelo Marcelo no grupo pró-Jair. Sobre o texto aprovado, creio que deveriam os pró-Bolsonaro ter deixado água passar por debaixo da ponte, pois a maciça votação mostrou não ter sido necessário o voto de nenhum deles, pois foi quase unânime.

      Insisto em teclar que bandido bom é bandido…

      • Caro Sancho, acabei de ver um vídeo da Carla Zambelli em que ela justifica seu voto. Disse que votou pelo que ela achou melhor e não o que ela acha perfeito, pois o perfeito não existe no congresso e sim o possível.

        Agora a pouco foi aprovada a privatização da Eletrobras no senado, aquela que o Novo se recusou a votar na câmara. Vai voltar para a Câmara, que terá que votar na semana que vem para ter validade a MP.

        É isso, temos sempre que ver os dois lados da história e acreditar que a Democracia é a arte do possível e que por mais imperfeito que seja, ainda é melhor que todos os outros regimes, assim dizia Churchill ou Thatcher, não sei bem ao certo. Quem diz que a democracia não é boa que apresente um regime político melhor.

  5. Declaração do Arthur Lira:

    “Não vamos nos pautar por versões das redes sociais. Aqui nós promovemos os debates, discutimos e votamos.”

    Para mim, isso soa como “não estamos nem aí para a opinião da sociedade. Nós temos o poder de votar o que quisermos, e é isso que fazemos. A única coisa que debatemos são nossos próprios interesses”.

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