CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Arnaldo Jabor

Aproveitei alguns pensamentos “alfinetantes” do saudoso Arnaldo Jabor para ilustrar nossa redação, com o desejo de despertar o orgulho dos brasileiros de bem, que ainda podem reagir para tirar o Brasil do buraco em que está metido.

Há 20 anos, aquele famoso escritor, cineasta e apresentador de tv, deixou frases que poderíamos considerá-las brocados clássicos do nosso tempo; ou seja, marcas emblemáticas das formas de procedimento.

Foram conceitos que profetizaram épocas e, ao mesmo tempo, servem de comparação com fatos da atualidade, porque há semelhanças entre elas e eles, os que se entranham na política-partidária, mesmo sem votos.

Algumas afirmações do cineasta descrevem parte de histórias análogas àqueles personagens que se encontram com as rédeas da Nação, em nossos dias.

Desta vez escrevemos uma crônica diferente. Fizemos um arranjo, adaptando algumas coisas bem ditas por Jabor, que como Nelson Rodrigues, “alfinetava”, sem pena, essa cambada que usufrui do Poder para se locupletar.

Vejamos as semelhanças com frases de Arnaldo Jabor:

Sou hoje parte dos detritos da nação!
O Brasil já assumiu a própria miséria.
Os marxistas de galinheiro estão infiltrados no Poder.
O serviço público está em aparelhamento crescente.
Não há um plano de governo, nem sabem governar.
Parecem macacos disputando minhocas num buraco.
Todos querem meter as mãos nas cumbucas do Estado.
Um dia, Zé Dirceu encontrou Lula e foi uma festa!
O grevista virou robô do Zé, seu manobreiro nas sombras.
Na porta das fábricas, ambos eram “símbolos de santidade.”
E unidos na luta, criaram um partido que seria sério, se não fosse enganoso.

O pedaço entristecedor de tudo isso é que eles visavam transformar, a partir daquela época, num prazo de 30 anos, o partido numa república sindicalista. Mas, essa evidência, logo despertou os intelectuais co-fundadores, que eram pessoas idôneas e capazes de apresentar planos.

E diante dessas conclusões bem amadurecidas, caíram fora do partido que congregaria trabalhadores de vários níveis: Heloísa Helena, Hélio Bicudo, Sérgio Buarque de Holanda, Dom Paulo Evaristo Arns, Cristovam Buarque, Ruy Fausto, Paulo Arantes, Antônio Cândido e vários outros, empobrecendo a legenda e desviando-a dos seus princípios basilares.

Deu no que deu!

As críticas e a revolta salientaram a “esquerdalhação” dos princípios éticos originais; a guinada para a centro-esquerda e o papel submisso que a intelectualidade passou a ter nos governos, envolvendo a substituição de figuras históricas por burocratas de meia tigela, alterando a base de apoio intelectual do partido.

E aí foram aparecendo os “ptralhas” e os políticos canalhas. A agremiação passou a agregar tudo quanto não prestava em termos de gente aproveitadora. Até que perderam o controle total das maracutaias que foram proliferando sem estribeira.

Hoje o que se vê, o Brasil é um país anarquizado, com milhares de pessoas dependentes de uma CPI, onde o “Careca do INSS”, culpado por considerável desfalque nos contracheques dos velhinhos, perambula nas vozes da mídia falada e escrita.

Mas há um outro careca, que se apresenta vestido de preto, arquiteto provisionado das manobras jurídicas mais escusas, que tanto infernizam os homens de bem.

Mas – vejam bem – não devemos incluir aqueles que, calvos por natureza, são políticos dignos e aplaudidos, como o senador Esperidião Amin, honra e glória da nação brasileira.

Esperidião Amin

Sabemos que na História atual, alguns descabelados, desejam ser líderes, sem votos, nas cenas de uma cambaleante democracia.

E como diria Arnaldo Jabor, se vivo fosse: “Os dois tipos aqui assinalados, são, na verdade: sinistros carecas”.

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