A PALAVRA DO EDITOR

Hoje, Sexta-Feira da Paixão, eu se alembrei-me de uma crônica do meu livro “A Prisão de São Benedito”, onde há uma referência a este dia.

Uma crônica intitulada “Outra Glosa”, e que está transcrita logo a seguir.

Aliás, vou aproveitar o pretexto pra fazer o reclame dos livros onde estão as besteiras que escrevo.

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E aqui vai a crônica sobre a qual falei:

* * *

OUTRA GLOSA

Elias gostava de caçadas e de raparigar. Dava-se muito bem com as duas atividades e a elas se dedicava com afinco.

Enrabichou-se com uma rameira conhecida pelo nome de Maria Cu-de-Apito. Tanto e tanto, que não respeitava nem feriado, nem dias santos, gastando o tempo que podia no leito da escolhida.

Assim, não foi difícil aos companheiros de caçada descobri-lo em plena noite de uma Sexta-Feira Santa para um Sábado de Aleluia: encontraram-no, já de madrugada, na Coréia, o bairro da zona, na casa da mulher.

E puseram-se a bater na porta, fazendo o maior barulho, chamando-o para uma caçada.

A rapariga sentiu-se duplamente lesada: tanto pela latomia no seu batente, quanto pela ousadia de quererem levar seu homem em pleno meio da noite. E pôs-se a dirigir impropérios a Elias, chamando-o pelos piores nomes que havia em seu repertório.

– Cabra safado, me largar aqui sozinha para ir caçar com os parceiros.

E, vendo a calma olímpica de Elias, que ia se vestindo como se não estivesse ouvindo a chuva de desaforos, resolveu chegar às últimas consequências, atirando-lhe na cara a pior ofensa que se podia dirigir a um homem naquele tempo:

– Chupão!

Elias permaneceu impassível, mas o desaforo foi escutado perfeitamente pelo grupo lá na calçada. Escandalizaram-se de imediato.

– Repara só: Maria Cu-de-Apito chamou Elias chupão!

Um deles, de ouvido mais apurado, percebeu logo o alcance da situação:

– Menino, isso dá um mote!

“Maria Cu-de-Apito
Chamou Elias chupão”

Fernando, glosador de respeito, pegou a coisa no ar e cometeu essa obra-prima:

Tinha fama de bonito
Mas teve um fim infeliz.
Repare quem ele quis:
Maria Cu-de-Apito.
E sendo um dia bendito,
Sexta-Feira da Paixão,
Não se sabe porque razão
Aquela puta escrachada,
Às duas da madrugada,
Chamou Elias Chupão.

2 pensou em “SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

  1. Berto, você é um enorme arquivo vivo dos melhores e cabeludos causos.

    Hoje em dia, o tal ofensa dirigida a Elias, é um baita de um elogio. Uma marca de orgulho e vaidade. Digno de se ostentar em chamativo boton na camisa ou adesivo no carro.

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