XICO COM X, BIZERRA COM I

O universo político de Gonzaga era incolor, totalmente desprovido de matiz ideológico. Discutível, dizem alguns. Não importa muito diante de seu baião, sua música, seu talento, uma bandeira desfraldada acima de qualquer regime dominante à sua época. Amizades e compromissos por ele assumidos durante a ditadura devem ser atribuídos à inconsistência de sua formação política e à vontade de, através de apoios pontuais, trazer ao seu chão progressos por ele desejados. Conseguiu. Nunca misturei essas querelas tão pequenas com a grandeza artística do Rei. Nem acho que se deva misturar. São coisas distintas, a meu modesto ver.

Transportando para os dias atuais, diante da imensidão da obra poética e literária de Chico Buarque, é de se perguntar: seu conceito diminui ou cresce ante o posicionamento político por ele adotado? Nem uma coisa nem outra. Lógico que não se pode desprezar a convicção ideológica do Buarque, homem de esquerda, defensor consciente e intransigente de pautas favoráveis ao povo brasileiro. Mas pouco importa a cor de seu coração partidário. Ele, por sua obra, é imenso e muito maior que qualquer discrepância de princípios. Como imenso seria se outra preferência tivesse seu poético coração. Francisco e Luiz, cabeças e pensamentos talvez conflitantes, diferentes entre si, são imensamente iguais no talento. Viva Chico, Viva Luiz, corações semelhantes, talentos similares.

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  1. \viva Lua, nosso Rei. Mais que qualquer outro. Para rivalizar com ele, só mesmo o mestre Xico Bizerra. E, assim mesmo, se ele quiser. O que duvido. Viva os dois.

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