JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

O poeta Geraldo Amâncio, cearense do Cedro, cantou sobre o saudade de sua mocidade criando de improviso os seguintes versos:

Olho a tela do tempo e me torturo
Vejo o filme do meu inconsciente,
Meu passado maior que o meu presente
Meu presente menor que o meu futuro.
Se a velhice é doença eu não me curo,
Que os três males que atacam um ancião:
São carência, desprezo e solidão,
E é difícil escapar dessa trindade;
Se eu pudesse comprava a mocidade
Nem que fosse pagando à prestação.

Este colunista, potiguar e acariense do Seridó, inspirado nos versos do inigualável Geraldo, também falei de minha saudade, nos dez versos que seguem:

Algo grande aperta esse meu peito
Vai fechando a porteira da garganta
Minha voz quer sair, a dor é tanta
Que a fala não sai de nenhum jeito.
Sob o sol do silêncio eu me deito
Esse algo aumenta a sensação
De mudez, de fraqueza e de prisão
Lá num tempo onde tudo é só saudade
Se eu pudesse comprava a mocidade
Nem que fosse pagando à prestação.

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