Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema ainda que de Deus se aparte
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)
Pobre Mário Quintana, não conhece a maior fonte de belos poemas que existe.
Sim, a Bíblia é repleta de poemas, representando aproximadamente um terço do texto sagrado e abrangendo diversos gêneros literários, desde a poesia lírica até parábolas e cânticos.
Os principais exemplos incluem:
Os Salmos: Contêm poemas de louvor, lamentação e confiança, como o Salmo 23 (“O Senhor é o meu pastor…”) e o Salmo 46 (“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza…”).
Cântico dos Cânticos: Um livro inteiro dedicado à poesia de amor, atribuído tradicionalmente a Salomão, com descrições sensuais e metafóricas do amor entre dois amantes.
Profecias e Lamentações: Livros como Lamentações de Jeremias são compostos por poemas elegíacos, e muitos profetas usaram versos poéticos para transmitir mensagens divinas.
Novo Testamento: Inclui cânticos poéticos como o Magnificat (cântico de Maria em Lucas 1) e expressões poéticas nas parábolas de Jesus, como “olhai os lírios do campo”.
Pobre Mário, se fosse um padre saberia onde procurar os mais belos versos.
Já que o João Francisco, por João, o Baptista, calçou as franciscanas sandálias, atiçou em euzinha a fé, que jamais me abandona. Portanto vou aos sublimes versos atribuídos a Santa Teresa de Ávila: «Tú me mueves, Señor, muéveme el verte / clavado en una cruz y escarnecido, / muéveme ver tu cuerpo tan herido, / muévenme tus afrentas y tu muerte. // Muéveme, en fin, tu amor, y en tal manera, / que aunque no huviera cielo, yo te amara, / y aunque no hubiera infierno, te temiera. // No me tienes que dar porque te quiera, / pues aunque lo que espero no esperara, / lo mismo que te quiero te quisiera.».
Hoje estou catolicamente crente. Que bom, meu Deus…
E aproveito o ensejo para pedir a todos que por aqui passarem, que orem pelo pronto restabelecimento da saúde daquele moço, cujo pecado foi querer bem ao Brasil e que chamam de Jair Messias Bolsonaro.
Um forte abraço, João.