Hoje cedo me bateu uma saudade danada de um grande amigo.
Um mito, uma figura lendária da cultura nordestina.
Estou falando do fabuloso Orlando Tejo, autor do clássico “Zé Limeira, o Poeta do Absurdo“.
Por conta dessa lembrança, vou repetir uma postagem feita aqui no JBF, em março de 2022.
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SAUDADES DE ORLANDO TEJO
Meu querido e saudoso amigo Orlando Tejo, que encantou-se em julho de 2018, era um sujeito de uma genialidade e de um talento fantásticos.
Ele compôs uma música intitulada Indo e Voltando, um samba em homenagem a Noel Rosa.
Isto mesmo: um ícone da cultura nordestina fazendo samba para uma lenda da cultura carioca.
A particularidade genial da letra desta composição é a seguinte: você lê cada verso de cima pra baixo, e em seguida, de baixo pra cima, linha por linha, que faz sentido do mesmo jeito.
A letra está transcrita a seguir pra que vocês comprovem isto:
INDO E VOLTANDO – De Orlando Tejo
Se eu quiser fazer um samba
É só evocar Noel
Batendo papo de bamba
Com o luar de Vila Isabel
A melodia descamba
No peito do menestrel
Como se sambista fosse
As rimas encho de som
A cadência a viola trouxe
Não precisa de outro tom
Só quero uma flauta doce
Para o samba sair bom
O samba é pombo-correio
Quando as suas asas solta
Transmitindo no passeio
A mensagem sem revolta
Se ele volta é porque veio
Se ele veio é porque volta
Se o samba é indo e voltando
E a gente faz batucada
O coração vai marcando
A rima cadenciada
E até surdo sai sambando
Se a luz faz emboscada
O vídeo a seguir, gravado nos anos 80, foi feito durante um encontro de amigos, uma farra na churrasqueira da minha casa, quando eu morava em Brasília.
Neste vídeo o próprio Orlando Tejo aparece cantando um verso desta sua música.
Quanta falta você faz, seu cabra!
O sempre alegre Orlando Tejo, admirado colega na Faculdade de Direito de Campina Grande. Notabilizou-se pela pouca frequência às aulas, pois só comparecia, basicamente, para arrastar o inesquecível professor RAIMUNDO ASFORA, para as noitadas na Rainha da Borborema. Noitadas comumente partilhadas com o séquito de admiradores que tinham!
Tempo bom, que não volta!!!