MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O segundo turno da eleição chega ao final no dia de hoje e a intranquilidade ainda incomoda. Nessa campanha eu, acredito, ter visto de tudo que não gostaria de ver, mas não tem como evitar. Olhando friamente esse momento, fortaleço minha crença de que nos afastamos assuntos relevantes e nos aproximamos mais da capacidade de persuasão dos marqueteiros que, no meu entendimento, não foram capazes de convencer o eleitor a votar. Basta ver a abstenção do primeiro turno.

Muito dificilmente, um eleitor de Lula deixará de votar nele, independente do que ele tenha dito ou deixado de dizer nos debates. A mesma coisa vale para Flávio Bolsonaro e, por isso, o interesse eleitoral passa a ser os 9,3 milhões de votos que foram dados aos demais candidatos no primeiro turno. Quem não votou no primeiro turno, provavelmente não votará no segundo turno e isso muda bastante o cenário nacional porque em estados importantes, como São Paulo, Minas e Rio de janeiro, não haverá segundo turno. Isto é mais um fator desestimulante para o eleitor.

No meu entendimento houve erros de abordagens dos problemas fundamentais, dentre os quais a questão da segurança e, mais uma vez, o debate inútil de privatização do SUS. Nenhum dos candidatFalaos percebeu que o SUS é um sistema, que não tem CNPJ e nem ações na bolsa de valores, logo não pode ser privatizado. Ademais, como o SUS é descentralizado, qual parte seria objeto de privatização: municipal, estadual ou federal? Esse tipo de desconhecimento, repetidas infinitas vezes, incomoda bastante, ainda mais por ninguém encerrar esse assunto, esclarecendo isso.

Isso posto, há dois pontos que preponderantes que contribuíram para as campanhas dos candidatos, sendo um negativamente e outro positivamente. O ponto negativo chama-se André Janones. O cara é um desastre. É o que sobra depois de um terremoto. Ele tem um estilo de falar gritando que irrita que houve, além de ser extremamente agressivo. Ao longo da campanha ele focou Nicolas Ferreira, divulgou fatos inexistentes e depois teve que se retratar. Bem medido e bem pesado, acho que ele não entregou à campanha de Lula, o que ele havia projetado. Poucas pessoas tinham interesse em assistir suas publicações.

No outro extremo, tem Nicolas Ferreira. Ele encontrou um tom adequado para se dirigir as pessoas e desde aquele vídeo que falava sobre o Pix, cada postagem sua gerava milhões de visualizações. Outra coisa que fez a balança pesar para seu lado foram os temas abordados. A maneira calma, sem gritos, de falar, atraiu mais audiência. Isso teve uma contribuição forte paraa campanha de Flávio.

Estes dois fatos não foram os únicos que se sobressaíram. Um ponto que eu considero fundamental foi a equipe de apoio e de formação das propostas de governo. Enquanto Flávio contou com Daniela Marques, uma profissional suficientemente conhecida no mercado, Lula não apresentou ninguém de peso. Quem esteve presente em alguns eventos foi o ministro da fazenda, mas não foi uma coisa positiva porque não é fácil tentar convencer as pessoas que de que dever trilhões de reais é saudável, que aumentar impostos é necessário para manter programas.

Na eleição de 2022, Lula não apresentou seu programa de governo nem suas propostas para a economia. Na ocasião foi dito que estava sendo dado a ele um cheque em branco, assinado. Veio a reforma fiscal, o tal arcabouço fiscal que deveria ter entrado em vigência em agosto de 2023 e não ocorreu. Daí outros desencontros sérios nessa área. A taxa das blusinhas, por exemplo, foi um desgaste tão grande quando a questão da movimentação do Pix acima de R$ 6.500,00. Quando o governo acordou para isso, era tarde. E como se não bastasse, veio o caso das bets, que foram regulamentadas pelo próprio governo e sua proibição gerou uma insatisfação muito grande junto as torcidas de times como Flamengo.

Há outros problemas que podem complicar, ainda mais, a situação do Brasil. Por exemplo, essa semana passamos a ser devedores internacionais. O próprio Lula se vangloriava de ter pago a dívida externa e agora ela voltou. Continuo achando que o Brasil continuará a penar por mais alguns anos. Infelizmente, com o resultado da eleição hoje, não temos um ponto final, mas reticências…

Um comentário em “RETICÊNCIAS”

  1. Nobre Assuero, parabéns mais uma vez pelo seu texto. Qualquer candidato que enfrente o pudim de cana, ou joga com às mesmas armas ou fica para trás. O encantador de jumento mesmo senil, dono do cofre, seus defensores (mídia do PIX) deixa seus críticos e adversários fora do jogo, levando para plateia alienada, a impressão do que tudo pronunciado pela figura é verdade, nos debates não existe proposta de governo, se voltarmos a 2002, o discurso continua o mesmo agora em 2026.

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