MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Barbaridade, que monte de achismos e de mentiras!

Foi isso o que comentei em um artigo do jornalista J.R.Guzzo ontem aqui no JBF. Como prometido, vou explicar por que disse isso.

Infelizmente é difícil negar o completo desconhecimento dos brasileiros sobre economia. Jornalistas, então, se superam, porque além de não saberem nada ainda costumam posar de sábios e despejar asneiras sobre o assunto.

Para começar, um conceito fundamental: inflação é causada pelo governo. Aumento generalizado de preços, que é o que se conhece por inflação, só ocorre APÓS um aumento da oferta monetária, e só quem pode fazer isso é o governo. Quem não concorda só precisaria fornecer exemplos em contrário. Como os exemplos não existem, jornalistas e economistas gastam páginas e páginas jogando a culpa no tomate, na chuva, no petróleo, nos especuladores ou na pandemia. Tudo mentira.

Para dar um exemplo: no século 19 todas as grandes economias do mundo seguiam o padrão-ouro. No Reino Unido, a inflação acumulada durante toda a segunda metade do século, ou seja, de 1851 a 1900, foi estimada em 1%. Durante estes 50 anos, havia especuladores (sempre houve), houve secas e enchentes, houve quebras de safra, houve até pandemias (cólera e peste bubônica, além da endêmica varíola). Mas como o governo não fabricava moeda, não houve aumento generalizado de preços.

No momento, é verdade que não somos o único país a cair na bobagem de fabricar dinheiro. Políticos de vários lugares, sendo políticos, aproveitaram o momento de burrice coletiva causado pela covid para girar a maquininha. Vários, mas não todos, e ainda que fossem todos, isso não transforma o errado em certo.

Por tudo isso, deploro o artigo de ontem do estimado Guzzo, que normalmente é um jornalista equilibrado, mas provou que também sabe desinformar propositalmente.

Se não é proposital, como explicar contorcionismos como “inflação de 7% nos Estados Unidos ou de 6% na Europa equivale a mais de 20% no Brasil”? Que matemática é essa? É verdade que ele mesmo fornece uma possível saída: “Inflação desse tamanho, para país sério, é uma tragédia.” Se o Guzzo não considera o Brasil um dos “países sérios”, aí talvez faça sentido usar termos como “tragédia” e “inflação adoidada” quando fala dos 7% dos EUA mas dizer “não há problema algum” sobre nossos 10%.

Aliás, seria bom notar que os 10% se referem ao altamente manipulado IPCA, já que outros índices mostram aumentos bem maiores: IGP-M, 17,78% em 2021 e 45% acumulado em dois anos; IPA, 18,8% em 2021 e 56% acumulado em dois anos; gasolina, 46% em 2021; eletricidade, 25%. É difícil achar algo que subiu “só” os 10% do IPCA.

Guzzo diz “a inflação brasileira de 10% no ano passado é um sucesso, comparada com a inflação dos países mais bem sucedidos” De que países “bem sucedidos” ele está falando? O Japão fechou o ano com 0,6%, a Suíça com 1,5%. Serão países “mal sucedidos”? Nas Américas, nossa inflação só foi menor que as de Haiti, Argentina, Suriname e Venezuela. Sucesso? Na Europa, empatamos com Lituânia e Estônia e só ficamos atrás da Moldávia e da descontrolada Turquia. Sucesso?

Talvez Guzzo considere a situação atual um sucesso porque não esquece de compará-la com o 2016 pós-Dilma. É outra mania brasileira que não nunca entendi. Dilma é padrão de comparação para alguma coisa? Ser “melhor que a Dilma” não é obrigação, é elogio? Para mim, é como um sujeito elogiar a mulher dizendo que ela é melhor esposa que a Elise Matsunaga, ou que é uma mãe melhor que a madrasta da Isabella Nardoni.

Guzzo também diz “O fato, apoiado por números, é que o Brasil teve com a inflação, no ano passado, resultados melhores que a maioria dos países do mundo.” Um bom jornalista deveria informar de que fato e de que números está falando, para não parecer apenas uma afirmação vazia. Do jeito que está, só faltou acrescentar um “é ciência!” no final.

19 pensou em “RESPOSTA AO GUZZO

  1. É tudo culpa do governo? Qual governo? No executivo ele se divide em três partes, o Federal, os Estaduais e os Municipais. O legislativo é governo também? Nos 2 primeiros anos Bolsonaro teve o legislativo totalmente contra seu governo. De um ano para cá, não teve grande apoio, mas teve. Foram aprovados grandes avanços (marco do saneamento, das ferrovias, aeroportos, portos…). O custo Brasil das nossas exportações já caiu muito e cairá mais.

    E o Judiciário? Só a indecisão do STF com a questão do marco temporal da demarcação das terras indígenas já causa uma insegurança jurídica sem precedentes. Pode tomar de uma hora para outra uma de agricultores uma região equivalente a todo o sul do país. Há muitas outras questões semelhantes.

    Comparar a situação atual da economia com a época da Dilma (PT) e FHC (PSDB), que foram maiores, faz todo o sentido, pois os mesmos não tinham esta pandemia, que é a maior crise sanitária mundial desde a gripe espanhola e mesmo assim administraram mal o país.

    Estados e municípios tiveram a autorização do STF de eliminar todas as garantias fundamentais previstas no art. 5º da CF e gastar como se não houvesse amanhã (sem controle algum). “Temos que salvar vidas, economia a gente vê depois”. Quem teve que emitir dívida para pagar este mantra? O governo federal. A conta chegou e é até pequena, diante do que o STF fez.

    Então é necessário ter lucidez para analisar coisas complexas, sem paixões políticas ou ódios desmensurados. É preciso responder também: Qual a alternativa? Daqui a 8 meses teremos uma eleição fundamental para o futuro do país.

    Lulla, e o PT falam em regulamentar a internet e acabar com as liberdades de opinião. Moro concorda com isso.

    Na economia, Lulla diz que irá acabar com o teto de gastos, vai gastar muuuito e provavelmente controlar preços. a Argentina e Venezuela nos mostram onde isso vai parar.

    Moro se diz um liberal, porém até agora somente apresentou platitudes. Quando perguntado como vai lidar com o congresso? Diz que é sem corrupção, toma-lá-dá-cá com diálogo e princípios. Perguntaram de novo: se lá tem 300 picaretas (feat Lulla), como isso pode ser concretizado? Moro repete que o combate à corrupção está no seu DNA.

    Então fica a pergunta: o que fazer? Criticar sem dar alternativas é fácil. Eu quero nomes e projetos viáveis de mudança.

    • Show. Só faltou citar a famosa frase: “a economia a gente vê depois”. Só mais um detalhe: Inflação basicamente é um desequilíbrio entre oferta de moeda e demanda de bens. Sendo assim, pode haver Inflação,sim, sem expansão monetária. Para isso basta que se reduza a produção. Pra, o “fique em casa” provocou uma redução circunstancial mas drástica na oferta de bens no mundo todo. Cada país sofreu e está sofrendo esse impacto de acordo com sua matriz econômica. No caso do Brasil certamente houve impacto inflacionário adicional em função do auxílio emergencial (aumento de oferta monetária), que veio justamente junto com a contração na produção (e alguém aqui ousaria condenar essa importante medida social? Pois bem, infelizmente ela, apesar de extremamente necessária, gerou impacto inflacionário).
      Na minha opinião culpar exclusivamente os governantes por essa inflação é simplificar demais a questão.
      Em tempo: o fundão eleitoral aprovado pelo congresso certamente irá provocar impacto inflacionário. E não faltarão julgadores de plantão para jogar a culpa no governo (poder executivo, ou seja, Bolsonaro).

    • Caro Flávio, eu já critiquei muito o Guzzo aqui neste espaço, na época que ele escrevia para o Estadão e eu via na sua escrita uma forma de agradar seus então pagadores.

      Não vejo como ele venha a se beneficiar ao dizer palavras que possam agradar o atual governo, que não dá mamata para jornalistas, assim como Lulla já deu muito para a velha imprensa e Moro, que já faz do Antagonista seu atual órgão de imprensa do comitê de campanha.

      Não se esqueça que Moro deu a dica com 48 horas de antecedência para O Antagonista / Empiricus ao sair do governo de forma espalhafatosa ao meio dia de uma sexta feira, quando os mercados operavam e tiveram grande turbulência.

      Uma informação privilegiadíssima destas para uma operadora financeira vale milhões.

  2. João, o problema é que eu estou tentando dar uma explicação econômica, enquanto você quer ouvir uma disputa política. Está lá na sua última frase: você diz que “quer nomes”, mas qualquer um percebe que para você só nomes que comecem com “bolso” e terminem com “naro” são aceitáveis.

    Sim, o governo é composto de três partes (quatro se contarmos o Ministério Público), todos sabemos disso. Porém, todas as acusações que você faz aos outros para isentar seu político de estimação são irrelevantes para o tema. O fato é que emissão de dinheiro é privilégio do Banco Central, e nem o judiciário nem o legislativo tem qualquer poder sobre ele. Roberto Campos Netto poderia ter pensado no país e cumprido sua função de proteger a moeda nacional, mas preferiu obedecer ao Guedes e destruí-la.

    De qualquer forma, meu artigo não é dirigido ao governo, mas ao jornalista J.R.Guzzo, que fez uma análise da qual eu discordei. Quando é o caso de criticar o governo, coisa que faço com frequência, eu falo do governo (estado, se preferir) como instituição. Minha opinião sobre o que é certo e o que é errado não muda dependendo de quem fez, seja Jair Bolsonaro, Michel Temer, Getúlio Vargas ou Prudente de Morais.

    P.S. Eu acho incrivelmente humilhante quando fãs do Bolsonaro pensam estar elogiando-o repetindo a) que ele é um coitado que não consegue fazer nada; e b) que ele é melhor do que Lula e Dilma. Elogio para mim seria compará-lo com Churchill, de Gaulle ou Tatcher, e não me lembro de nenhum deles sendo retratado como um coitadinho.

    • Marcelo,

      Isso é verbo e é muito mais do que perfeito….Elogio TAMBÉM para mim seria compará-lo com Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Margaret Hilda Thatcher (minha amada professora de conservadorismo).

      Quanto aos acima citados, creio que aí seria exagerar por demais alguém ousar comparar o esforçado JMB (em quem votei e no qual voterei) com qualquer um deles.

      Penso sempre em Jair como o menos ruim dentre aqueles, nesta terra tupiniquim, que se apresentaram e se apresentam para comandar os destinos do Brasil de 2023 em diante. E gosto mesmo é de alguns de seus ministros, onde destaco o Guedes, a Tereza, o Tarcísio, o Abraham Weintraub (que lá já não está), o astronauta e o Walter Braga Netto.

  3. Marcelo, quem critica tem que apresentar soluções dentro da realidade brasileira, pois caso contrário é fácil atirar pedras. Dilma e FHC administraram o Brasil num passado recente e devem servir de parâmetro para o caminho que devemos seguir, pois este passado pode voltar.

    Churchill, Tatcher, Reagan não administraram o Brasil. Vargas, P. de Moraes administraram em outra época e eram parte do sistema podre da época. Temer sim, administrou; poderia ter feito um governo razoável, porém teve a Globo e a JBS contra ele. Também tinha rabo preso (Porto de Santos é um ex.).

    Nossa realidade atual coloca na disputa para as eleições Bolsonaro, Lula e Moro como prováveis opções. V. Marcelo, parece que não faz parte do Brasil. Chega a colocar: “É outra mania brasileira que não nunca entendi….”. Ora. se a mania é brasileira e v. faz parte do país, é no mínimo estranho que v., como analista que é, não entenda.

    No mais, repito pela enésima vez, sou brasileiro, conservador de direita, liberal na economia (sim, defendo um estado mínimo, mas a existência de um estado). Defendo as liberdades individuais para qualquer um falar sua opinião. Fora o direito à propriedade, à religião, à defesa pessoal com as armas que forem disponíveis e à vida, desde sua concepção como algo inalienável.

    Eu entendo que no momento, diante das opções que temos para outubro, quem melhor me representa é Jair Bolsonaro. Não o coloco como um ser perfeito e incorruptível, porém até o momento, tendo todo o Sistema contra si, não vi nada que o comprometa de forma a quebrar minha confiança.

  4. João, quando comentava meus pitacos vc costumava usar a expressão “você não vai me pautar”. Não entendia bem o porquê disso, mas hoje vejo que é autodefesa: você se dá o direito de pautar os outros e estabelecer os parâmetros em que cada um pode se expressar.

    Esse seu comentário não tem uma só frase sincera ou verdadeira. Apenas apelações, auto-elogios e hipocrisias.

    Parágrafo por parágrafo:

    “soluções dentro da realidade brasileira”: a solução para a inflação, como já disse várias vezes e vc finge não ouvir, é o Guedes e o Campos Neto pararem de emitir dinheiro. É para isso que existe a autonomia do BC.

    “Churchill, Tatcher, Reagan não administraram o Brasil…” Ou seja, vc inventa parâmetros para fugir da comparação e continuar na falsa dicotomia. Mas pelo menos admite tacitamente que Bolsonaro não deve ser colocado no mesmo grupo de Churchill ou Tatcher, mas sim no de Lula e Dilma.

    “Marcelo, parece que não faz parte do Brasil. Chega a colocar: É outra mania brasileira que não nunca entendi….” Isso chama-se figura de linguagem, João, e vc fingir que não entendeu me deixa feliz, pois mostra que não tem nenhum argumento sólido para me refutar.

    “No mais, repito pela enésima vez, sou brasileiro, conservador de direita…” e daí para frente vc só mente. Você não é “liberal na economia”, se fosse não estaria babando ovo de um estatista como Bolsonaro. Você não defende as liberdades individuais, a não ser as suas e de quem pensa como você, tanto que já defendeu a censura mais de uma vez (mas usando joguinhos de palavras para dizer que censura não é censura). Você não defende “a vida, desde sua concepção” porque nunca criticou a legislação brasileira sobre o aborto (provavelmente você dirá que “defende em silêncio”, como covarde que é)

    “Não o coloco como um ser perfeito e incorruptível, porém até o momento […] não vi nada que o comprometa” Não vê porque não quer, porque se esforça para não ver, e porque dá chilique cada vez que escuta uma verdade que não gosta.

    Como dá para notar, João, mais uma vez seus comentários não tem nenhuma relação com o artigo. Você simplesmente repete e repete e repete a pauta que quer impor: que tudo deve ser visto pelo ângulo mais favorável a seu político querido. Já cansou.

  5. Marcelo, eu vejo que v. se cansa facilmente. Não gosta do debate?

    Política tem tudo a ver com economia. Guedes e Campos Neto não foram eleitos. Se fossem implantar a Política Econômica que v. prega, Bolsonaro já teria caído. Foi o STF quem o obrigou a dar ajuda financeira aos estados falidos que gastaram loucamente.

    Quanto aos minha definição pessoal de crenças, v. me chamou de mentiroso e covarde. Bom, a partir daí realmente acabaram meus argumentos, agressões como esta eu procuro evitar e não vou levar adiante.

    Boa tarde!

  6. Cansar facilmente? Estou a anos tentando acreditar você está interessado em um debate sincero, e ainda estou aqui, mesmo quando você me acusou de mau-caráter, mentiroso e outras coisas mais, sem falar as repetidas gracinhas de “isentão”. Claro que ao contrário do que eu fiz, você usou alguns rodeios para poder depois arregar e dizer que não foi bem isso que você quis dizer. Covardia, repito. Eu o chamei de mentiroso e mostrei quais as mentiras, o que você não refutou.

    Só para terminar o argumento:
    – Campos Neto recebeu um mandato para proteger a moeda nacional,não o Bolsonaro. Você mais uma vez confessa que enxerga tudo pela ótica do seu político de estimação.
    – O STF não tem poder nenhum sobre o BC. Mostre uma decisão do STF dizendo ao BC que ele deve imprimir dinheiro e eu retiro tudo que disse. Se não achar, seja homem e assuma que falou bobagem.

  7. Marcelo, eu não sou covarde. Esta acusação é muito grave e revela muito do que v. é.

    V. me chamou de mentiroso e não deu nenhum fato para provar isso, o que também revela sua face.

    Como eu já disse, paremos por aqui e vamos seguir em frente, pois eu lamento, com este tipo de agressão fica difícil.

    Boa tarde!

  8. Marcelo, a inflação que estamos vendo não é fruto do aumento da oferta de moeda. Pelo contrário: a redução na oferta de moeda eleva a taxa de ou dito de outra forma o governo eleva a taxa de juros pra reduziu a oferta de moeda e com isso reduzir preços.
    A inflação é de demanda e de custos. A demanda por bens fez o preço subir. O fechamento de atividades reduziu os insumos e aumentou custos.
    No modelo macroeconômico chamado IS-LM se vê o efeito do aumento da taxa de juros. Isso é básico mim curso introdutório de macroeconomia. Mankiw, Blanchard, Dornbush, mostram isso. É só consultar. Aumentar oferta de moeda com aumento da taxa de juros é fazer a lei da gravidade atrair corpos pra fora da Terra.
    Sei que o governo poderia interferir menos, mas essa afirmação não faz sentido. Consulte o banco central. Agora, o modelo IS-LM considera M/P ou seja, oferta real. O valor nominal da moeda não é indicado

    • Mauricio está olhando o microcosmo, e o curtíssimo prazo. Essa inflação importada é resultado dos programas de expansão que já existiam e explodiram com a pandemia. Somados ao gargalo nas cadeias de produção.

      Mas, quem sabe Guzzo e João Francisco têm uma nova ordem econômica capaz de revolucionar todos os conceitos. Aqui na Bolsolândia tudo é possível.

  9. Marcelo está coberto de razão, tanto no aspecto econômico, quanto no político e até mesmo levando em conta o lado pessoal do embate.
    Todo governo sonha em ter uma inflação sob controle para reduzir o valor real da dívida e aumentar marginalmente suas receitas. O grande problema é controlar a inflação. Em dado momento do ano de 2021, o Ministério da Economia, comandado pelo fiscalista P Guedes, cometeu o mesmo erro de todos, ou quase todos que o antecederam, trocar um pouquinho de inflação, numa dose controlada, por crescimento e emprego. Coisa que o Ministro condenou durante toda sua vida. Deu em 10%. Ninguém garante, que mesmo com uma taxa de juros nas alturas teremos refresco em 2022. Parece que houve uma atuação combinada com o BC. Parece, porque eu acredito na independência do BC e na seriedade de Roberto Campos Neto. Já Paulo Guedes, está totalmente acovardado e comprado por Bolsonaro. Se alguém na Bolsolândia ainda tinha dúvida que é o Centrão quem manda: Um decreto de Jair Bolsonaro, estampado na edição matinal do Diário Oficial, subordina todas as decisões do Ministério da Economia sobre gastos, investimentos e créditos “à manifestação prévia favorável” do Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Se o Centrão autorizar, Guedes assina o cheque. Que fim triste para um PHD de Chicago.
    Não há nenhuma dúvida de que o Centrão vai dar um chute, bem dado, no traseiro, ou na hemorroida, do Capitão, mas antes vai chupar até a última gota de sangue dos recursos do contribuinte. Sob as bençãos, ou cumplicidade, do conservador que jurou combater a corrupção, que tinha como lema “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
    Falando nisso, as férias do Capitão já terminaram?

  10. Desculpe, Maurício, mas se em todas as inflações do mundo ocorre um aumento da base monetária ANTES (como disse no artigo); e se no nosso caso a base monetária aumentou perto de 50%, não vejo como negar a relação. Mas repito o “desafio”: Qual o país em que a inflação cresceu de forma consistente sem que a base monetária aumentasse antes?

    Por outro lado, se a pandemia fechou tudo, muita gente perdeu o emprego e quase todos os autônomos foram proibidos de trabalhar, como é que pode haver aumento de demanda? Aumento de desemprego, queda na renda e aumento de consumo podem ocorrer ao mesmo tempo?

    E como é que a pandemia aumentou os preços da comida, por exemplo? Os bois deixaram de engordar e os cereais pararam de crescer por causa do lockdown? Aliás, nossa produção de grãos não bateu recorde, de novo, este ano? A gasolina subiu 47% porque está faltando gasolina no mundo? Ou a pandemia fez todo mundo andar mais de carro? A Petrobrás parou de produzir na pandemia?

    Eu sei que não tenho credencial acadêmica nenhuma, e me desculpo pela impertinência, mas o pouco que li sobre estes modelos macroeconomicos baseados em fórmulas me dão a impressão de que eles podem provar que a Chapecoense foi o melhor time do brasileirão deste ano. Falando mais sério: se a economia pudesse ser explicada por fórmulas, todos os economistas seriam milionários e todos os países ajustariam os parâmetros economicos de acordo com estas fórmulas e seriam prósperos.

  11. O Eduardo lembrou uma coisa importante: por trás de todos os modelos econômicos, todo governo sabe que no curto prazo a inflação aumenta a arrecadação e corrói as dívidas e as despesas. Daí, todos os políticos acham que podem manter a inflação sob controle para aproveitar as vantagens. Dificilmente dá certo, e as economias vivem nessa gangorra inflação-recessão (TACE – Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos)

    Discordo da avaliação dele sobre o Campos Neto. Se ele realmente quisesse defender a moeda, que é a função básica do BC, bastava ter dito “Se vocês querem se endividar, se endividem, mas eu não vou fabricar dinheiro”. Em algum momento os juros iam começar a subir e o governo ia ter que tomar uma decisão.

    Uma historinha: lá pelos anos 60 ou 70, houve uma onda de greves na Alemanha e os políticos começaram a falar em criar alguns subsídios para agradar aos sindicatos. O presidente do BC, que lá era independente de verdade, falou “se o governo começar a gastar mais, nós vamos subir os juros para defender o valor da moeda”. Ninguém falou mais no assunto. Aliás, todo mundo diz que a crise do petróleo em 73 bagunçou a economia do mundo inteiro. O marco alemão nem se mexeu. Banco Central é isso.

  12. Você deve está olhando a base nominal. Uma taxa juros alta a demanda por títulos aumenta e cai a demanda por bens. A selic aumentou e o governo não iria aumentar taxa d de juros pra aumentar inflação. Sugiro que você olhe o mecanismo de transmissão. É uma teoria aceita no mundo todo. Você pode refutar reescrever os modelos macroeconômicos. Vale um Nobel.
    A assenhoragem é prevista na macro. O governo ganha porque as empresas também ganham com receita não operacional. Isso não significa que o governo vai fazer isso porque as perdas são maiores, as perdas sociais e fica complicado se reeleger com políticas com afetem a sociedade negativamente

  13. Maurício, se por taxa de juros vc quer dizer a selic, eu já fiz um pitaco específico sobre ela. O governo baixou na marra (até hoje não entendi o porquê), o real desvalorizou (como previsto), os preços subiram (como previsto). Agora eles estão tentando consertar jogando a selic para cima novamente, o que pode ajudar mas não vai resolver.

    Nada disso contradiz minha afirmação de que a causa fundamental de qualquer aumento de preços generalizado e constante é o aumento da base monetária, também chamado impressão de dinheiro. __Sigo procurando um exemplo contrário.__

    Quanto a refutar teorias e ganhar nobel, minha vaidade não chega a tanto. Minhas idéias se inspiram muito em Mises e na chamada Escola Austríaca. O fato de Paul Krugman ter um nobel e Mises não já me diz algo sobre este prêmio, que aliás não é um nobel de verdade. Foi inventado pelo Banco Central da Suécia e pegou carona no nome.

    Leio muitos sites e blogs em que se fala de economia, e normalmente as “refutações” que vejo sobre a escola austríaca são “Mises era nazista” (ele era judeu e saiu fugido da Áustria) e “praxeologia não é ciência”. Mas, para mim, o fato é que ela fornece explicações muito mais consistentes para o funcionamento da economia do que o mainstream acadêmico, que está sempre “ajustando” seus modelos matemáticos para explicar o passado mas nunca acerta sobre o futuro.

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