A Alma não fica inteiramente morta!
Vagas Ressurreições do Sentimento
abrem já, devagar, porta por porta,
os palácios reais do Encantamento!
Morrer! Findar! Desfalecer! que importa
para o secreto e fundo movimento
que a alma transporta, sublimiza e exorta,
ao grande Bem do grande Pensamento!
Chamas novas e belas vão raiando,
vão se acedendo os límpidos altares
e as almas vão sorrindo e vão orando…
E pela curva dos longínquos ares
ei-las que vêm, como o imprevisto bando
dos albatrozes dos estranhos mares…

João da Cruz e Sousa, Florianópolis-SC, (1861-1898)