XICO COM X, BIZERRA COM I

Conheço um cara de origem extremamente católica, criado dentro dos mais rigorosos preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana, de família totalmente dedicada aos princípios religiosos. Criança, não perdia uma missa aos domingos. Foi coroinha e depois, para satisfazer a vontade da mãe que queria vê-lo Padre, ingressou no seminário. Nas duas atividades permaneceu por apenas 6 meses. Isso tudo juntado talvez seja o responsável por ele hoje detestar as igrejas, todas elas, não importa, evitando até botar os pés em suas calçadas.

Sua Fé é muito mais intensa: é íntima, é uma parceria com a natureza e com os valores do bem, é o perseguir a filosofia e os ensinamentos de Francisco, aquele de Assis, um Santo de e da Verdade que pregava a caridade como obrigação humana. É o fazer o bem sem olhar a quem e nunca desejar o mal ao semelhante.

A religião desse cara se sustenta em três pilares: a importância da família, a serenidade da música e a liturgia da palavra. E assim tem sido ao longo de sua vida. Nunca sentiu falta de altares e de estátuas, de homilias e de religiosos, de dogmas e outras enganações. Santos, estão lá por merecimento, não para atender ou intermediar pedidos de nós, terrenos errantes. Por isso, não lhes ‘enche o saco’. Sacerdotes, alguns ele até admira, como João Paulo II e um ou outro Lancelotti dos tempos atuais, bem diferentes dos Padres e Freis cantores.

E assim segue, religioso a seu modo, temente a um ser superior, um Deus em que acredita, e fazendo o que acha que deve ser feito, respeitando o próximo, em primeiro lugar. Esse é um cara do bem. Modéstia à parte, dá para desconfiar de quem estou falando?

8 pensou em “RELIGIOSO SEM RELIGIÃO

  1. Caro Xico, uma pena que este personagem tenha se afastado da Igreja Católica depois de ter passado pela instrução familiar, chegando até a coroinha e seminarista, ainda que por pouco tempo.

    Do que eu li, dá para ver que a influência da figura materna era muito forte nele e que, ao sair de sua influência resolver romper com todas ligações que tinha com ela e a igreja.

    Não existe uma figura extremamente católica, ou se é ou não é. Também não há rigorosos preceitos a se seguir. O principal é o amor a Deus e ao próximo. Deus só nos deseja o bem e espera que o adoremos. A base da Igreja é Jesus, que foi enviado por Deus para nos redimir dos nossos pecados. Tradição, Magistério e Sagrada Escritura são os três pilares da Fé Católica.

    Maria Santíssima é a mãe de Jesus e portanto de Deus, uma vez que os dois são um só. Os santos são pessoas que viveram a fé em sua plenitude, alguns foram martirizados, outros tiveram vidas místicas; todos, junto com Maria, são intercessores de nossas necessidades junto a Deus.

    Só mais uma coisa, colocar São João Paulo II e o Padre Júlio Lancelotti no mesmo nível de admiração, enquanto reprova O frei cantor que reza o rosário pela madrugada junto a milhões de brasileiros é algo meio confuso.

    Um abraço e espero o melhor para este seu personagem.

  2. A aversão desse “personagem” que julgo ser o próprio autor, talvez se deva “panorama sexual” da Insituição (e olhe que a coisa é antiga). Como homem sério que Este Escravo imagina que ele seja, ao se deparar com a “bicharada” o “personagem” deve ter dado ré. E o pior é que ficou o trauma. Brendo Silva relata a mesma coisa no livro A vida secreta dos padres gays. Infelizmente é aquele velho ditado: “quando não mata, aleija!” Muitos jovens entram no seminário com boas intenções, querendo servir a Deus; mas lá chegando encontram uma verdadeira máfia homossexu@l. Este Escravo não tem nada contra essa turma, mas sua presença na Igreja mancha o ideal a que ela se destina. Ademais, são poucos os que mesmo “convivendo” com os efeminados se mantém firme na missão.

    Agora gostar do menino “lança-leite, digo Lancelloti e torcer nariz pro freizinho das madrugas é esquisito; não obstante eu tenha comigo certa suspeita em análise das postagens anteriores do mestre fubânico. Mas isso não é da conta de um Escravo.

  3. Dr Zé Paulo, seu João Francisco e Dom Tota,
    que bom que minhas mal tecladas linhas tenha despertado comentários tão inteligentes dos leitores. A eles agradeço complementando que o personagem do texto tem razões várias para seu posicionamento de distância da igreja e de seus pastores, com ou sem batina. Mas não me cabe discutir ou discordar das ideias de vocês. Resta-me abraçá-los com braços de gratidão.

    • Ora qual, Mestre Ciço, também não nos cabe “discutir ou discordar das ideias”; mas dar um “pitaco na opinião alheia, com uma boa pitada de respeito não faz mal a ninguém”; já dizia Mestre Foquita, primo de Nuca de Zebedel.

      No mais, essa gazeta escrota – nas sábias palavras do Papa Berto – é um ambiente onde afloram diversas matizes do pensamento; e onde observo, reina muito respeito.

      Os colaboradores são colunistas de primeira. Já seguia esse espaço de longa data, mas nunca tinha arriscado nenhuma “observação”. Voltando ao texto, é uma pena; mas o senhor tem razão. Mesmo sendo Católico Este Escravo muito se entristece quando observa essas safadezas no interior da Instituição. Todavia, como reconheci que não estou lá por nenhum homem, continuo batalhando pela salvação da minha alma e dos meus. Sabe como é? “Vasilha velha nunca perde o fedor.”

      • O infitete do corretor me fez escrever Ciço ao invés de Xico. É a oportunidade para agradecer o abraço e deixar-lhe também o meu.

    • Caro Xico, temos pontos de vista diferentes no que diz respeito às crenças religiosas e políticas. Nutro um grande respeito pelo colunista, que considero inteligente demais.

      Quanto ao personagem da crônica, espero que ele resolva seu ódio com a Igreja Católica, a qual ele evita até pisar nas calçadas. O prédio que a representa é a casa de Deus, que está sempre presente fisicamente no sacrário. Qualquer um pode ir ali apresentar seus problemas, rezar, contemplar, adorar e buscar a paz. Nada é cobrado, não há nenhum tipo de preconceito ou discriminação.

      Não sei se a mãe do personagem é viva, mas se for, vá junto dela em uma missa, garanto que a fará a mãe mais feliz do mundo. Caso já tenha partido (como a minha), vá ao sacrário e apenas pense nela com amor e carinho. Ela ouvirá as palavras e também ficará feliz, com certeza.

      Abraço

  4. Respeito e inteligência sobram nos leitores desta Gazeta. Por isso estou aqui na esperanca que estilhaços de sabeforia terminem por cair sobre a cabeça branca desse servo de Deus, não de seus ‘representantes’ cá embaixo. Dízimos de amor aos meus leitores.

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