DEU NO JORNAL

Alexandre Garcia

Embarque de soja no porto de Paranaguá

Nós, brasileiros, somos um povo muito especial. Com toda essa pandemia e campanha para puxar o país para baixo, nós batemos um recorde histórico em abril: a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 10,349 bilhões. É o melhor saldo para um mês em 33 anos, segundo o Ministério da Economia.

Nós exportamos US$ 26,481 bilhões e também compramos muito do exterior, importando R$ 16,132 bilhões em bens e produtos. Isso significa que a atividade econômica está aquecida. Agora, é esperar a abertura de vagas de emprego e a melhoria da renda dos brasileiros.

Nós vendemos principalmente soja, algodão, café, petróleo e minério de ferro. E quem mais comprou? A China, claro. Os chineses precisam comprar da gente. Não adiantou o pessoal do contra, que puxa para baixo, tentar vender a ideia de que haveria uma espécie de retaliação da China contra o Brasil. Isso não existe, porque a China também precisa da gente. E nós compramos fertilizantes, defensivos, produtos acabados…  porque a gente está precisando e a economia está andando.

Que coisa boa falar sobre isso, desse país resiliente, que não dá ouvidos para a “bolha”. Empresários, empreendedores, empregadores, todos aqueles que têm iniciativa, que estão no país real, estão tocando a vida, a despeito de tudo. Não tem outra solução.

* * *

ATIVISMO JUDICIAL ATACA DE NOVO

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, ameaçou responsabilizar os administradores públicos que não aplicarem a segunda dose da vacina contra Covid-19 por improbidade administrativa. Foi em um despacho que atendeu um recurso da Defensoria Pública do Rio de Janeiro contra o uso da vacina reservada para segunda dose para imunizar policiais e professores.

Mas pensem comigo: é preferível ficar com um estoque de vacina parado até vencer o prazo de dar a segunda dose ou vacinar logo quem ainda não recebeu nenhuma dose? E pelo menos vai ter a primeira dose, que já é metade da proteção. E logo vai chegar mais estoque para a segunda dose. Mas o ministro Lewandowski mandou parar tudo. É mais uma interferência do Supremo em assuntos administrativos do poder Executivo.

Por causa de situações como essa é que já há uma reação grande de parlamentares contra o ativismo judicial, conforme relata reportagem da Gazeta do Povo. Trata-se de uma ação de defesa da independência do Congresso Nacional.

Depois que o Supremo prendeu um deputado e deu ordem para abrir uma CPI, os parlamentares estão selecionando todos os projetos que estão lá para dar um jeito de frear esse ativismo judicial. Cada vez o STF se mete mais na vida dos outros poderes. Passando por cima do segundo artigo da Constituição, que fala na Independência e harmonia entre os poderes; eles estão provocando é desarmonia.

11 pensou em “RECORDE HISTÓRICO

  1. “nós exportamos”, não. Quem exportou foi a Vale, a JBF, a Brazilfoods e meia dúzia de mega plantadores de soja do Mato Grosso. Como consequência, o preço da carne, do óleo de soja e similares aqui dentro foram para as alturas.

    Esse é um conceito básico de economia que precisamos aprender: país rico consome o que produz e exporta o que sobra. País pobre não consome o que produz porque precisa exportar tudo para pagar as contas (o famoso “vender o almoço para pagar a janta”).

    • E sempre haverá quem passa o dia sem tomar água, mas lê a notícia “governo diz que brasileiros tomaram 32% mais água este mês” e vai dormir com sede mas feliz da vida, acreditando na notícia.

  2. Vinte produtos mais exportados em 2020

    1° Soja
    Confira os 20 produtos brasileiros mais exportados em 2020!

    Participação: 15% – Valor FOB: US$ 28,5 bilhões

    O Brasil continua como segundo maior produtor de soja do mundo, registrando produtividade média de 3.362 kg por hectare, segundo a Embrapa.

    2° Minério de ferro e concentrados
    Participação: 12% – Valor FOB: US$ 22,7 bilhões

    Entre as diversas riquezas do país está o minério de ferro. Desta forma, o Brasil abriga a quinta maior reserva do mundo, equivalente a 17 bilhões de toneladas.

    3° Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus
    Participação: 9,4% – Valor FOB: US$ 18 bilhões

    Além disso, outro destaque do setor extrativista são os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus, pois são essenciais ao influenciarem os resultados do comércio exterior brasileiro e fabricações de muitos produtos da indústria.

    4° Açúcares e melaços
    Confira os 20 produtos brasileiros mais exportados em 2020!

    Participação: 4,2% – Valor FOB: US$ 8 bilhões

    O mercado do biocombustível sofreu com uma forte queda nas cotações e no consumo durante a pandemia, conforme informado pela Revista Globo Rural. Mas em agosto, a exportação do açúcar cresceu 118% em comparação a 2019, o que justifica sua importância mundial no setor sucroalcooleiro.

    5° Carne bovina

    Participação: 3,6% – Valor FOB: US$ 6,8 bilhões

    De acordo com informações da Embrapa, a proteína nacional alimenta o mundo todo: equivale a 3% das exportações brasileiras e proporciona faturamento de 6 bilhões de reais.

    6° Farelos de soja e outros alimentos para animais
    Participação: 3,1% – Valor FOB: US$ 5,9 bilhões

    Além dos bons resultados das exportações de carne, o Brasil é um importante produtor desta commodity utilizada para fabricação de rações no mundo todo, conforme observado pelo Sindi racoes.

    7° Celulose
    Participação: 2,9% – Valor FOB: US$ 5,6 bilhões

    Atrás somente dos EUA, o Brasil está entre os principais exportadores de celulose, principalmente devido aos envios à China, como explica o Canal Agro do Estadão.

    8° Demais produtos da Indústria de Transformação
    Participação: 2,7% – Valor FOB: US$ 5,2 bilhões

    O portal UOL Economia observa que as exportações referentes a indústria da transformação (matérias-primas de origem vegetal ou animal que será usada em produto final) já vinham registrando quedas antes da pandemia.

    9° Carnes de aves
    Confira os 20 produtos brasileiros mais exportados em 2020!

    Participação: 2,6% – Valor FOB: US$5,1 bilhões

    Apesar do cenário atual, segundo a ABPA, as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram um volume de 5,6% a mais que o registrado em novembro do ano de 2019, posicionando o país entre os maiores produtores do mundo.

    10° Óleos combustíveis de petróleo
    Participação: 2,3% – Valor FOB: US$ 4,4 bilhões

    Somente em maio desse ano, conforme divulgado pela Agência Brasil, a Petrobras exportou 1,11 milhão de toneladas de óleo combustível. Segundo a empresa, o recorde reflete diversas ações. É provável que, conforme explicado, isso reflita a diversificação dos destinos do produto. Para que, com isso, tenha ocorrido a ampliação da participação no mercado externo.

    11° Ouro – não monetário
    Participação: 2,3% – Valor FOB: US$ 4,4 bilhões

    Hoje, conforme justifica o Ibram, o Brasil é o 13º maior produtor de Ouro. De tal forma que acumula produção de 66 toneladas. Além disso, este é o segundo mais importante mineral de exportação.

    12° Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas
    Participação: 1,8 % – Valor FOB: US$ 3,4 bilhões

    Como resultado dos avanços, a indústria metal-mecânica mundial demanda elevados volumes destes insumos. Entretanto, apesar de pequena participação, os resultados impactam diretamente o comércio exterior nacional.

    13° Produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço
    Participação: 1,5% – Valor FOB: US$ 3 bilhões

    Aqui também é apresentada a pequena, porém não menos importante participação da exportação destes produtos referência na siderurgia e metalurgia.

    14° Veículos automóveis de passageiros
    Participação: 1,2% – Valor FOB: US$ 2,4 bilhões

    De acordo com levantamento do G1, as principais montadoras do Brasil exportam principalmente para a América Latina. Sendo assim, os roteiros incluem países como Argentina, Paraguai e Uruguai, e ainda muitos países da África, por exemplo.

    15° Alumina
    Participação: 1,1% – Valor FOB: US$ 2,1 bilhões

    Atualmente, o Brasil é o 15º produtor de alumínio primário – alumina. Como resultado, as exportações de metais, incluindo, bauxita e alumina representaram em média 2,5% das vendas externas brasileiras, segundo dados da Abal.

    16° Carne suína
    Participação: 1% – Valor FOB: US$ 1,95 bilhão

    Quarto maior produtor da proteína do mundo, o país é responsável por 3,88% da produção global, exportando principalmente para abastecimento do mercado chinês, conforme publicado pela Suinocultura Brasil.

    17° Aeronaves e outros equipamentos
    Participação: 0,97% – Valor FOB: US$ 1,86 bilhão

    Apesar das mudanças no cenário da aviação, o Brasil segue como um dos maiores exportadores de soluções para a fabricação de aeronaves. Dessa forma, somente no primeiro trimestre, isso representou US$ 489,75 milhões, conforme dados do portal FazComex.

    18° Partes e acessórios de veículos automotivos
    Participação: 0,89% – Valor FOB: US$ 1,7 bilhão

    Assim como se destaca como exportador de automóveis, as peças e acessórios nacionais também são bastante requisitadas no mercado internacional.

    19° Motores de pistão
    Participação: 0,80% – Valor FOB: US$ 1,53 bilhão

    Dentre os bens de maior valor agregado, pistões e motores também apresentam uma pequena representatividade nas exportações brasileiras.

    20° Sucos de frutas ou de vegetais
    Participação: 0,17% – Valor FOB: US$ 1,45 bilhão

    • Quanto VOCÊ ganhou dos 28 bilhões de soja que foram exportados? Eu ganhei um aumento de quase 40% nos últimos 12 meses.

      Quanto VOCÊ ganhou dos 6,8 bilhões de carne bovina exportada? Eu paguei quase cem reais em dois quilos e pouquinho de carne moída, ontem.

      • J. Roberto, v. foi perfeito na sua análise. A grande produção produz excedente para exportação, que gera riqueza para quem vende, gera mais renda, emprego, impostos, a roda da economia gira.

        Não enxergar isso é tapar os olhos para o óbvio.

        Só uma pequena correção, em 2020, o BR já foi o maior produtor de soja do mundo. Segundo o site farmnews, na safra 2019/2020, o BR superou os EUA em 28% neste grão (124,5 mi Ton BR x 96,84 mi ton EUA) na atual safra a situação não vai mudar.

  3. O Brasil importa muito? Não, o Brasil não importa quase nada porque é um dos países mais fechados do mundo:

    Importações como % do PIB:

    Suíça : 54%
    Alemanha : 40%
    Canadá : 33%
    França : 32%

    Sudão : 11,8%
    Brasil : 11,6%
    Nigéria : 11,5%

    Estamos em boa companhia?

  4. O povo vive melhor em países com balança comercial positiva ou negativa?

    Resultado da balança comercial como % do PIB (2020, countryeconomy.com)

    EUA : -4,66% (NEGATIVA)
    UK : -8,53% (NEGATIVA)
    CANADA: -1,40% (NEGATIVA)

    BRASIL: +3,02% (POSITIVA)
    ARGENTINA: +3,27% (POSITIVA)
    VIETNÃ : +3,30% (POSITIVA)

    Sim, é claro que há muito mais exemplos. A questão é justamente que balança comercial, por si só, não quer dizer nada. Um país com balança positiva pode ser um país com indústria altamente desenvolvida (como Suíça ou Alemanha) ou pode ser um país pobre que exporta porque seu mercado interno é fraco (como nós).

  5. Senhores,

    (De uma forma simplista)

    A questão do aumentos dos preços internos por causa da exportação é simples, acho: os produtores querem ganhar mais e mais. Não ví até hoje algum produtor afirmar que preferia vender no mercado interno (e mantendo os preços) do que ganhar mais exportando.

    Exemplo, a carne. Quando a China resolveu aumentar as importações, os produtores brasileiros falaram “não, primeiro os brasileiros”? Necas. Os brasileiros que se danem. Foi assim também com o ProAlcool, funcionou enquanto os gringos não resolveram importar o nosso álcool. Hoje o álcool, genuinamenre brasileiro está no nível de preço da gasolima (refem do preço internacional do petróleo), tendo muito menos eficiência (cerca de 70%).

    E porque exportamos commodities e importamos produtos de alta tecnologia?

    Acho que esta discussão deve ser ampliada

    Abraços

    • Exatamente, Hipólito. Ninguém trabalha para ter prejuízo. Os produtores, como qualquer pessoa, querem ganhar dinheiro. Como nosso mercado interno é fraco, como consequência da baixa produtividade e da alta carga de impostos, os produtos “sobram” e são exportados.

      O problema não é o preço lá fora. O problema é que nosso poder de compra é baixo.

      Além disso, tem o outro lado: importamos muito pouco porque temos uma política protecionista. A população é obrigada a pagar caro porque não há concorrência, e os produtores protegidos não precisam se esforçar. Em troca de uma inútil proteção à indústria nacional, todo mundo fica mais pobre.

      A consequência destes dois erros somados é um saldo positivo na balança comercial. Comemorar isso é passar recibo de ignorância em economia e/ou de obediência bovina ao governo. É aceitar que nós existimos para servir ao governo, e não o contrário.

      Apenas uma correção: o preço do álcool não está caro por causa das exportações. É o contrário: o Brasil importa álcool mais barato do que o produzido aqui, mas estabelece “cotas” para proteger os usineiros. Ou seja, os usineiros produzem quanto querem pelo preço que querem, e aí a Petrobrás importa apenas o necessário para completar a oferta necessária. Se tivéssemos um mercado aberto e sem impostos de importação, o álcool seria mais barato. (Sei que tem gente que passa mal só de ouvir falar em “menos impostos”)

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