CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Banco de Londres, majestosa sede no Recife

Depois de publicar três títulos sobre assuntos bancários e ter sido profissional dessa categoria durante 30 anos, sinto-me na obrigação de reavivar alguns assuntos sobre esse mister, para que a geração atual possa vir a entender alguns modos de funcionamento dessas instituições e seus derivados, em eras passadas.

No livro Recife – da moeda ao crédito, que entreguei à CEPE para publicação, documentei parte da História econômica que se vai tornando esquecida nas estantes. Para isso serve a crônica. Trazer fatos de algumas épocas e comentá-los, comparando-se os períodos, a fim de se observar os contrastes.

Na época em que a moeda se transforma em apenas um sinal de voz, através de um smartphone – modelo de aplicativo que já começa a superar o QRcode – é oportuno evidenciar o papel do dinheiro e das empresas intermediadoras das operações financeiras.

É importante afirmar, que o Recife já assumiu, de fato, todos os poderes de cidade-estado, quando aqui, inclusive, foram cunhadas as primeiras moedas brasileiras, que eram de ouro.

Não se deve esquecer que nossa cidade foi representação internacional de estado e país, pois, era a capital do Brasil holandês, quando tomou a denominação de “Cidade Maurícia”.

As nações da Europa, notadamente a Espanha, Portugal, Alemanha e a Holanda – justamente aquelas que dominavam o comércio mundial – olhavam para o nosso torrão avaliando bem sua posição econômica e a capacidade de produzir bens.

Daí veio a necessidade de produzir estas páginas.

Muitas delas foram escritas em latim e não ficaram esquecidas, pois foram cuidadosamente guardadas na Holanda e na Alemanha, como relíquias que verdadeiramente são.

Éramos representantes de uma nação que já misturava as raças tão harmonicamente, criando a identidade diversificada, capaz de mostrar-se com estrutura emergente, como nação nova e gente audaz.

Essa audácia ficaria comprovada pelo modelo de ações de progresso que inspiraram o slogan de sua bandeira.

Os recifenses se apresentavam nos embates encarniçados de Guararapes, Tabocas e Tejucupapo, como uma gente brava e altaneira, capaz de defender-se do invasor e de preservar seu direito patrimonial ao custo do sangue de seus semelhantes.

Noutras oportunidades, como pessoas inteligentes e hábeis, apresentando ao mundo suas ideias, artes e letras, capazes de se harmonizar com o Governo Holandês, para promover o progresso da cidade-estado.

Agora, depois de mais de 400 anos, balizando o Período Holandês – notadamente a fase do Governo de Nassau – temos estudado esses momentos, levantando outros fatos empoeirados e quase escondidos nas gavetas da memória histórica que se encontra além de nossas fronteiras, para se reavaliar os costumes de hoje.

Os Bancos, banqueiros e bancários não estão separados ou a margem dessa História. São partes integrantes delas.

Pretendemos realçar alguns desses momentos e pessoas, fatos quase anônimos, para que não fiquem imóveis na distante época do 1500, ainda tão pouco focados, para que se releve o mérito dos seus atores, aqueles que laboraram de sol a sol, pacientemente, em suas escrivaninhas.

Os comerciantes, industriais e banqueiros arriscaram seus capitais. Os bancários e demais trabalhadores mourejaram dia a dia, dando muito de si para que a sociedade galgasse patamares importantes em termos de concorrência mundial.

Mas não posso desconsiderar, entretanto, os muitos movimentos armados que nossos livros registraram, como notáveis demonstrações de civismo.

Mas a História não se monta apenas com fatos relevantes, sob a ação de armas, com generais e soldados.

A periferia dos acontecimentos, às vezes pode parecer insignificantes, mas dá-nos mostra legítima e clara de muita coisa que não se sabia, oferecendo aos sociólogos detalhes indicativos para se entender os dias que ficaram nas estradas do tempo.

Colar de pérolas com um grande W entrelaçado que são as iniciais da GEOCTROYEERDE WEST-INDISCHE COMPAGNIE (Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais), o respectivo valor expresso em algarismos romanos

Pelo fato de se haver cunhado no Recife as moedas de ouro, que por si só representavam o lastro do seu valor, as quais circulavam no Brasil holandês, ganhamos uma artéria com nome incomum: Rua da Moeda.

E saiba-se que em Pernambuco funcionou, em 1540, a primeira instituição bancária do Brasil: a Casa Bancária dos Fugger (atual Fugger Privat Bank KG).

Em 1637 o “Recife de Pernambuco” era o Brasil. A placa que se vê na Rua da Moeda talvez tenha sido ali fixada a fim de perpetuar o fato de que fomos a única cidade-estado brasileira.

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