CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Parque Solon de Lucena, João Pessoa. Foto de Washington Medeiros

Sempre acreditei existir uma simbiose perfeita entre leitores e cronista. E dou exemplos nestas notas.

Sobre tema onde abordei a cacofonia, meu caro amigo, jornalista Sanelvo Cabral, enviou uma das lembranças que certamente fará constar em sua biografia. Disse-me por escrito:

Certa feita no Diário Oficial do Município do Recife criei um espaço onde informava a atividade do Prefeito, naquele dia. E para ser bem objetivo dei o título: “O Dia do Prefeito”. Em algumas edições o noticiário chegou a ser publicado. Mas depois, alguns colegas me alertaram: Sanelvo, estão lendo: “Odiado Prefeito”. A fim de corrigir troquei o título para: “Diário do Prefeito”.

Esta outra vem dos anais do Banco onde trabalhei até me aposentar.

Sendo presepeiro e piadista, meu amigo Ernesto Viriato convenceu o inocente colega Eugênio Vasconcelos a bolar um nome para seu buteco, que funcionava na cúpula do Prédio Velho do BB. Na verdade era uma lanchonete e não um bar, pois ali havia a limitação para a venda de bebidas, em virtude de ser um estabelecimento bancário.

Todas as tardes Eugênio passava pelos setores anunciando verbalmente as novidades de cada dia, a fim de atrair colegas para o lanche. Ernesto, então, pediu a “Paulo Catinga” para desenhar num papelão, um “reclame” com o nome escolhido para a lanchonete.

Seria uma propaganda volante, fixada num pedaço de madeira, de forma que o propagandista pudesse rodá-lo numa posição em que o anúncio chegasse mais fácil aos olhos de todos.

Mas o objetivo era pregar mais uma de suas peças. O pobre passou a transitar feito um idiota, divulgando o anúncio já “trambicado”.

Imagine-se uma salada ser apenas com duas frutas! E ainda mais com a “cacofonia explícita” do nome do estabelecimento! Duas presepadas numa só tacada.

Querubim Bar.
Oferta do Dia:
Salada de 12 frutas. (10 laranjas e duas bananas).

Foi um carnaval de risadas, até que o portador foi alertado para a brincadeira.

Outra “parada” ocorreu quando em crônica recente, me referi a um cabra que parecia ter o “furico de ouro”, pois só obrava com os sapatos em cima da tampa da privada.

Eis que recebi de um amável leitor, este versinho, escrito atrás da porta do wc da faculdade em que o respeitável aluno estudou.

Toda vez que cago
Sinto tristeza profunda
A tolete bate na água
E a água bate na bunda.

Outro leitor me lembrou de um versinho que seu pai contava, sobre uma Pensão em que se hospedara, em Marilândia, que tinha preços muito baratos, mas “castigava” na quantidade de alimentos, deixando os hóspedes sem o desejo de retornar por causa da fome que passavam durante a hospedagem.

O cardápio era cruel: pela manhã, café pequeno e uma bolacha Americana. No almoço, um ovo e uma colher de arroz e uma de feijão. À noite, sopa de cabeça-de-peixe, só com o olho do animal.

No último dia de sua estada, o hóspede foi ao sanitário e lá deixou pregado, num papelão, a expressão de sua revolta:

Adeus pensão desgraçada
Nunca mais me verás tu
Criei ferrugem nos dentes
E teia de aranha no cu.

Outro exemplo engraçado. Em João Pessoa, nos anos 50, havia uma pequena rua ladeirosa, perto do Centro, onde se encontra o bucólico Parque Solon de Lucena, uma das maravilhas daquela cativante capital. Bem na metade da rampa se instalou um famoso bar, ponto que tomou o nome de “Bar Querubim.”

A fama correu. Meses depois surgiu um gaiato invejoso para “detonar”, fixando no banheiro o versinho:

Essa Paraíba
É mesmo de encantar
Subindo: “Bar Querubim”
Descendo: “Querobim Bar”.

2 pensou em “QUERUBIM BAR

  1. Algumas pequenas correções sobre o Bar Querubim, em João Pessoa.
    Primeiro: ficava na Av. Guedes Pereira, rua, é verdade, enladeirada, mas que fazia a principal ligação entre o Ponto de Cem Réis, à época centro da cidade, com a chamada “cidade baixa”, onde estavam as principais lojas (tecidos, miudezas, sapatos, joias e outros) e o centro econômico da cidade, com o chamado “comércio em grosso”, agências bancárias (inclusive o Banco do Brasil – Av. Gama e Melo) e até mesmo muitos órgãos dos governos federais, estadual e municipal) e, por que não?, o espaço da boemia e do meretrício;
    Segundo: O Bar Querubim era, na verdade um caldo de cana bem frequentado, mas como ficava na via que permitia também o acesso noturno, decerto, à boemia, levou o poeta Jansen Filho ao jogo de palavras, em que ele dizia “subindo é o bar Querubim”, “descendo Querubim Bar”.

  2. Caro Arael,

    Gratíssimo por suas correções. Vou ver como poderei reapresentar o tema, oferecendo as verdades que você assinalou, sobremodo o autor do verso.

    Pelo menos valeu promover o parque de sua cidade, um dos mais belos do Brasil.

    Estive várias vezes em João Pessoa e não deixo de ter profundas saudades de sua agradável região.

    Considere meu pedido de desculpas. Anotei e vou estudar o assunto para na poróxima encaixar suas palavras de correção.

    Grato por sua leitura.

    Carlos Eduardo.

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