ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Hoje eu acordei no veneno. Logo cedo, querendo me aborrecer fui ouvir um tristemunho dessa gente neopentecostal que adora fazer turismo no inferno e visitar o capiroto. Pensei comigo mesmo, enquanto aguardava o guincho que vinha rebocar meu carango para a oficina: essa gente neopentecostal adora comer feijoada à noite, pois se empanturram, têm pesadelos e dizem que foram arrebatados ao inferno. Bom seria se já ficassem lá, no terceiro círculo, que Dante reservou aos mentirosos. E, o horário combinado com o homem do guincho se passou. Liguei para ele. Telefone desligado… e lá veio o mesmo pensamento…. calma, Roque…. caeté não briga com caeté!

Mas isso é apenas desabafo de um Nhambiquara que acordou com os bofes azedo e pronto a riscar o facão marca coqueiro no asfalto quente. O que eu queria mesmo compartilhar com vassuncês é minha vontade de seu “cumunista” como os muitos que se reproduzem na terra brasilis. Aliás, estava, essoutro dia, vendo algumas frases de Tancredo Neves e uma foi bem certeira. Dizia aquele mineirim: ser comunista na juventude é aceitável, mas depois de adulto, depois que entende, aí já é ser mau caráter. Pronto! Nada mais precisa ser dito.

E, como sempre, eu gosto de fazer revisitações históricas. Apesar de ter minha formação em Letras – com especialização em Filologia Românica, isto é Latim Clássico. Sou velho mesmo -, sempre gostei da História, pois ela nos ensina muitas lições que, de outra forma, não seria possível aprender. Principalmente a história de Pindorama do século XX, nos seus últimos 50 anos.

Pindorama sempre esteve à sombra de descambar para adotar essa ideologia, assim, como quem escolhe o sabor de um picolé na esquina de casa, sem se preocupar com as consequências de suas escolhas. Mas também, o comportamento dos cumunistas brasileiros, desde o século passado foi aquilo que Raul Seixas chamava de “Metamorfose ambulante”. Só que, se Raul se via como essa metamorfose, os cumunistas de pindorama sempre temperaram essa visão com alta dose de canalhice e hipocrisia. Vamos recorrer à história?

Veja-se o caso de Jorge Amado. Grande escritor da Literatura Moderna brasileira, prosista de escrita saborosa e apimentada. Estando no Brasil vivia agarrado ao paletó de Toninho Malvadeza – os sábios entenderão -. Quando viajava, mal o avião saia do espaço aéreo brasileiro, ele se travestia de cumunista de raiz e carteirinha. O mais interessante é que, como bom cumunista só ia para Paris, Madri, Roma, Lisboa. Na minha pouca idade, nunca vi Jorge Amado viajando para Havana, Pyongyang, Ulan Bator – essa é difícil, mas é a capital da Mongólia Interior -, Hanói, Pnom Pem.

Dilma Roussef é um caso a parte, porque ela, no tempo da militância não viajava. Dizem que ela era responsável por ensinar marxismo para os militantes da ALN – Aliança Renovadora Nacional -, e do COLINA – Comando de Libertação Nacional -. Marx é uma obra de difícil digestão, não pelo que ele ensina, mas pelos conceitos e escritos mesmo. Fico imaginando Dilma, com seu vocabulário, em que sujeito e predicado não entram em acordo em uma mesma oração. Seu discurso cheio de anacoluto que saem em disparada para diferentes direções quando ela abre a boca, e o pavor que os adjuntos têm quando ela fala de improviso. Talvez esteja aí a resposta pelo fracasso da luta armada no Brasil. Ninguém entendia o que a professora da língua do “P” falava.

Mas, ainda temos outros casos. Miguel Arraes, depois da sova que tomou em 1964 não foi, nem para Moscou, nem para Havana, muito menos para Pequim, mas sim para a Argélia. Não, sem antes passear por seis meses em Paris. Ah Paris! Esse sétimo círculo do inferno de Dante que seduz tudo quanto é tipo de cumunista da América Latina. Deve haver caveira de burro enterrada no Champs Elisè, ou mesmo terra de cemitério espalhada no Quartier Latin.

Aliás, Paris, esse inferno capitalista e opressor atraiu cumunistas como Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque, Gleisi Ventinha, entre outros. Mas também não somente Paris. Os Zistados Zunidos, esse antro de exploração do proletário, esse ranço conservador e autoritário atraiu muitos cumunistas da bananolândia. Para lá foram José Serra, e mesmo Fernando Henrique Cardoso, e, mais atualmente a bonitona da Manuela D’ávila. Foi passar suas férias em “Niviorque” e comprar o enxoval de sua filha. E, à época, eu se me perguntei: por quê ela não foi para Pyongyang fazer essa compra?

O coroné de Sobral, que também se autodenominou de “esquerda” também adora os Zistados Zunidos. Foi estudar em Harvard. Dá até para imaginar ele, com seu inglês de “Ciço Romão” – eterno personagem de Chico Anísio -, tentando se comunicar por lá. Vai ver deu cinco minutos, como adora fazer em Sobral, para que os americanos começassem a falar a língua dele. Mas tudo isso é fofoca de minha parte. Na verdade eu também gostaria de ser cumunistas como esses sujeitos.

Mas, alguém pode me questionar….E Lula? E Zé Dirceu? Bem, Lula não é cumunista. É só um ladrão provado, comprovado e condenado. Zé Dirceu é um caso à parte. Tem a inteligência de um Felix Dzerzinskhy, o calculismo de um Lavrenti Beria, e a sabugice de um Casimiro Lopes. Dirceu nasceu para a grandeza, mas anos e anos de subalternismo a gente menos inteligente do que ele, o tornaram uma sombra de si mesmo. Pelo menos, ao que se saiba, Dirceu não tem nenhum covil em Paris, ou Nova York em que possa descansar da luta pela implantação da ditadura do proletariado aqui em Pindorama. Afinal, ninguém é de ferro.

Eu quero ser cumunistas assim como esse magote de sem vergonhas que se dizem cumunistas. Mas me falta o apartamento em Paris, a casa em Nova York e o dinheiro para só viajar de primeira classe em aviões, comendo lagosta e bebendo Don Perrignon. Assim vale a pena ser cumunista. Ainda não encontrei o meu Engels para eu poder deixar de trabalhar e lutar pela ditadura do proletariado, coçando os bagos e tirando carrapato da carcunda de meus cachorros, aqui em casa.

2 pensou em “QUERO SER CUMUNISTA

  1. Roque o texto está fantástico. Quando falou sobre Dilma e imaginei logo a cena. Só não entendi uma coisa: ela ensinando Marx e as as coisas avoando pra tudo que é lado. E os alunos de sacanagem fingindo que entenderam. Muito bom ser cumunista. Francisco Julião, líder das ligas camponesas, foi para o México, Brizola para o Uruguai. O único que foi pra Rússia foi Gregório Bezerra. Abraços

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