CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

O Capibaribe contornando a Ilha de Joana Bezerra – Foto de Carlos Eduardo Santos Jr.

No final da década de 40 o bairro recifense dos Afogados se ligava ao Centro da Capital através de uma única ponte, a qual permitia aos bondes elétricos e pedestres a passagem para o centro comercial da cidade.

A praia de Boa Viagem possuía um único acesso, que se fazia através dos bondes, pela Ponte do Pina, que não dava passagem a pessoas, a não ser que se ariscassem seguindo pelos trilhos.

Assim, para se chegar às praias do Pina e Boa Viagem era preciso seguir pela Estrada Imbiribeira (atual Av. Mascarenhas de Morais).

Na altura do atual Aeroporto dos Guararapes, contornava-se pela Rua Barão de Souza Leão para se chegar às praias; e isto só seria possível, em termos de transporte, através da ferrovia Recife-Cabo de Santo Agostinho, de bicicletas, carroças puxadas a cavalo ou automóveis, que eram raríssimos naqueles tempos.

Portanto, para a meninada da faixa de 12 anos, que residia na Vila dos Remédios, em Afogados, a única forma de nadar seria estar cursando a Escola de Aprendizes Marinheiros – a única instituição que possuía piscina no Recife – ou utilizar o rio Capibaribe.

Já nadando com certa desenvoltura, o autor e seus coleguinhas: Avanildo e Adevaldo Maranhão, Zanoni Pimentel e Guaracy Ferrer se exercitavam atravessando o rio.

Nossa meta era chegar à outra margem, até o sítio de um inglês que se tornou conhecido por “James do Coque” (James Martin Lewis Hunter), um dos primeiros habitantes do local onde se extraia carvão mineral.

A partir dos anos 60 o lugar cresceu rapidamente por força de invasões e o povoado foi elevado à categoria de bairro, cujo nome oficial é Ilha de Joana Bezerra, todavia uma parte desta é mais conhecida como Comunidade do Coque.

Em virtude de Mr. James trabalhar na fábrica do Gasômetro, que produzia entre outros um subproduto chamado coque, surgiu assim a origem do nome adotado pelo bairro: Coque.

Vale notar que o Gasômetro, era uma fábrica situada perto da Estação Central dos trens da Great Western, onde se produzia também o “gás de cozinha”, que já naqueles anos abastecia as residências da Boa Vista, embutido nas paredes, através de dutos de cobre.

Que bom saber que nossos filhos e netos possam, nos dias atuais, dispor de bom transporte urbano interligando os bairros, permitindo passeios às praias!

Além disso lhes é permitido seus salutares exercícios de natação, além de vários clubes e residências que hoje possuem piscinas, com águas bem tratadas e professores especializados em vários modelos de natação.

Na prainha do sítio onde residia o velho “Coque”, lembro-me bem, repousávamos após a travessia, a fim de poder retornar à outra margem. Era uma tirada e tanto!

O Capibaribe era a nossa praia. Naqueles anos, em nossa linguagem de meninos, mais conhecido como: “a maré”.

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