Enquanto o filósofo alemão Peter Sloterdijk caracteriza Deus como “simplesmente a maior fonte de cobertura de seguro”, numa explanação plenamente lúcida para todas as crenças religiosas da pós-modernidade, uma tecnologia se desenvolve com velocidade espantosa e os estudos humanísticos andam tartarugalmente desorientados por ausência de um elucidativo PFS – Pensar Filosofal Sementeiro. E o mais grave: em algumas denominações religiosas do Ocidente, vários mitos sobre tecnologia têm sido proclamados por algumas pessoas travestidas de evangelizadores. Abaixo, listados estão alguns desses apregoados mitos, explicitados pelo jornalista Tony Reinke, em seu livro Deus, Tecnologia e a Vida Cristã, São José dos Campos SP, Editora Fiel, 2022, 354 p. Páginas dedicadas “aos cristãos que vivem em centros tecnológicos caros e exigentes, construindo igrejas de forma altruísta e influenciando as indústrias mais poderosas do mundo para o bem”.
1. A inovação humana é uma imposição inorgânica forçada sobre a ordem criada.
2. Os seres humanos definem os limites e as possibilidades tecnológicas da criação.
3. A inovação humana é autônoma, ilimitada e incontrolável.
4. Deus não está relacionado às melhorias da inovação humana.
5. Os inventores não cristãos não podem cumprir a vontade de Deus.
6. Deus enviará as inovações mais benéficas por meio dos cristãos.
7. Os seres humanos podem gerar tecnopoderes além do controle de Deus.
8. As inovações são boas, desde que sejam pragmaticamente úteis.
9. Deus governa apenas tecnologias virtuosas.
10. Deus não tinha o iPhone em mente quando criou o mundo
11. Nossa descoberta do poder atômico foi um erro que Deus nunca desejou.
12. Ser um bom cristão depende de minha adoção ou rejeição ao technium.
Sonhando, talvez quixotescamente, com uma Universidade Brasileira voltada para a consecução de uma excelencialidade humanística século XXI, devidamente vacinada contra as posturas verborrágicas sempre apregoadas nas campanhas eleitorais, releio vez por outras uma reflexão do professor William Deming, o restaurador do destruído Japão depois de Hiroshima e Nagasaki: “A transformação não significa apagar incêndios, resolver problemas ou criar melhorias simplesmente cosméticas. A transformação deve ser feita por pessoas que detenham um profundo conhecimento”.
Sugeriria, pedindo vênia, aos dirigentes da muito estimada Universidade de Pernambuco, passadas as eleições próximas, estruturar, em conjunto com a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e sob o comando de um Grupo Científico, uma ampla reestruturação do ensino superior público estadual de Pernambuco – UPE e Autarquias Municipais -, favorecendo uma melhor aplicação dos recursos investidos, nas áreas Humanas e Tecnológicas. Amplamente participativo, o citado GC identificaria os principais obstáculos e potencialidades da atual estrutura educacional de nível superior estadual, aplicando alternativas viáveis para a consolidação de uma malha universitária academicamente ágil e intercomplementar, minimamente burocratizada, de conteúdo curricular atualizado, subsidiada por uma Assessoria de Ensino Superior, a ser posteriormente instituída. Toda a estrutura sempre alerta diante de um princípio universal: se a democracia não pode tolerar a presença dos mais altos padrões de aprendizagem, então a própria democracia se torna questionável.
Seguramente, os resultados daquele Grupo Científico somente deverão ser alcançados com ampla efetividade se a estratégia operacional contiver uma maciça dose de autenticidade decisória e uma mancheia de decisões binoculizadoras, tudo ficando estabelecido com as cartas na mesa, sem populismos eleitoreiros, embora com consistente densidade estratégica histórica. E com uma gigantesca visão do Grupo de rejeitar visões obsoletas, incentivando uma profissionalidade humanística cidadã cada vez mais cativante para todos, pernambucanos e pernambucanizados.
No Brasil, a problemática universitária passa pela “solucionática” dos ensinos fundamental e médio, face as licenciaturas estarem muito aquém de um mínimo desejável, com professores sem densidade profissional e salarial.
Bilhões dos impostos são jogados fora em universidades cuja produção científica é superada por cocô de um único bode.
A merda caprina, pelo menos, pode servir de adubo.